Incêndios no terceiro dia da operação para desmontar a 'Selva' de Calais

Calais, França, 26 Out 2016 (AFP) - Múltiplos incêndios foram registrados nesta quarta-feira em vários pontos da "Selva" de Calais, o maior acampamento informal de migrantes da França, no terceiro dia do desmonte do local, o que acelerou a saída dos últimos ocupantes.

Colunas de fumaça preta eram observadas no imenso acampamento de barracos, que as autoridades começaram a desmontar na segunda-feira.

Os incêndios, segundo as testemunhas, foram provocados pelos próprios migrantes.

"Atearam fogo e deixaram que se espalhasse", contou um jovem sudanês, confirmando as afirmações de várias testemunhas.

Quatro migrantes afegãos foram detidos após os incêndios, informou a prefeitura de Calais.

Estes afegãos "estão irritados porque 'A Selva' acabou e não conseguiram ir para a Inglaterra", afirmou Yones, um eritreu de 17 anos.

Fontes locais afirmam que o fogo é uma "tradição, sobretudo entre algumas comunidades que têm o costume de incendiar seus lares antes de abandoná-los".

As associações que trabalham no acampamento tinham advertido para a possibilidade de que estes incidentes ocorressem e tinham distribuído dezenas de extintores entre os migrantes.

O vice-prefeito de Calais, Philippe Mignonnet, citou incêndios que chamou de "maliciosos".

"Virando a página"Apesar das chamas, as operações para a demolição do acampamento, onde até o domingo se amontoavam entre 6.000 a 8.000 migrantes, prosseguiam nesta quarta-feira.

"Hoje, realmente, é o fim da 'Selva'" de Calais, sentenciou a representante local do Estado, Fabienne Buccio.

"Cumprimos nossa missão" e estes migrantes estão "virando a página". Eles "vão poder começar uma vida nova na França", acrescentou.

Segundo as autoridades, "não resta ninguém no campo. Todos estão sob abrigo", completou.

Jornalistas da AFP que tiveram acesso ao local constataram que estava praticamente deserto, depois que vários migrantes foram forçados a partir para fugir das chamas.

No total, restam cem pessoas dentro da 'Selva'.

No local, voluntários tentam convencê-los a partir.

"Dizemos que é o último dia e que se não forem embora, a polícia vai detê-los e deportá-los para seus países", explica Enrika, voluntária lituana da associação Care for Calais.

Segundo Fabienne Buccio, "mais de 5.000" migrantes foram transferidos para refúgios desde o início da operação de evacuação, na segunda-feira.

Os adultos foram levados de ônibus para centros de acolhida espalhados por todo o território francês. Os menores foram realocados em um centro de acolhida provisório dentro do acampamento, enquanto sua situação é definida.

Segundo estimativas oficiais, 1.300 menores desacompanhados moravam na "Selva". Quinhentos deles afirmam ter parentes no Reino Unido.

Quase 200 foram acolhidos no Reino Unido desde o início de outubro, incluindo 60 meninas que corriam o risco de exploração sexual, anunciou a ministra britânica do Interior, Amber Rudd.

A presidente da ONG Save the Children, Carolyn Miles, pediu às autoridades francesas uma garantia de segurança para os menores, antes de afirmar que a situação das crianças e adolescentes é "assustadora".

O desmantelamento do acampamento, que se tornou um triste símbolo da crise migratória na Europa, foi anunciado pelo presidente François Hollande em setembro, a seis meses das eleições presidenciais, um pleito que terá a imigração como um dos principais temas.

dc-ser/fp/mvv

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