Rússia: investigação da ONU sobre armas químicas na Síria é 'pouco convicente'

Nações Unidas, Estados Unidos, 27 Out 2016 (AFP) - A Rússia minimizou nesta quinta-feira por serem "pouco convincentes" os resultados de uma investigação dirigida pela ONU que indica que forças do governo sírio realizaram três ataques com armas químicas.

O embaixador russo diante do organismo internacional, Vitali Churkin, disse no Conselho de Segurança que as conclusões não foram "confirmadas", segundo um texto de suas declarações em uma reunião a portas fechadas do conselho.

Curkin declarou que a investigação sobre o uso de armas químicas pelo regime sírio "está cheia de contradições".

Os embaixadores dos 15 países membros do Conselho de Segurança se reuniram nesta quinta-feira para analisar o relatório, que acusa Damasco de ter recorrido três vezes a armas químicas contra a população civil em 2014 e 2015.

As conclusões do documento, segundo Churkin, "não se baseiam em testemunhos suficientes ou em provas materiais".

O diplomata russo rejeitou a ideia - defendida por França e Reino Unido - de sancionar o regime sírio. "As conclusões não são definitivas, não tem força legal e não podem servir (...) para se tomar decisões jurídicas".

A investigação da ONU estabeleceu que o governo do presidente Bashar al-Assad e o grupo extremista Estado Islâmico (EI) lançaram ataques com armas químicas na Síria.

O relatório indica que o regime sírio bombardeou com armas químicas dois povoados no noroeste da província de Idleb: Talmenes, em 21 de abril de 2014, e Sarmin, em 16 de março de 2015.

Nos dois casos, helicópteros da Força Aérea síria lançaram primeiro "um artefato" e depois uma "substância tóxica", no caso de Sarmin com as "características do cloro".

O grupo Estado Islâmico utilizou gás mostarda em um ataque contra a cidade de Marea, no norte da província de Aleppo, em 21 de agosto de 2015.

O governo de Al-Assad tem negado reiteradas vezes o uso de armas químicas na Síria, mas o relatório destaca que "há suficiente informação para se chegar às conclusões" sobre os responsáveis pelos ataques nos três casos.

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