Donald Trump, a indomável e temerária força que aspira à Casa Branca

Da AFP, em Washington

  • Carlo Allegri/Reuters

    Magnata implodiu o Partido Republicano, incapaz de compreender seus eleitores

    Magnata implodiu o Partido Republicano, incapaz de compreender seus eleitores

Impulsivo, excessivo e sem experiência política, Donald Trump não parecia personificar as qualidades de um candidato que pretende chegar à Casa Branca - na verdade, sequer parecia ter chances de continuar na disputa.

Com sua energia indomável, ego ilimitado e declarações sensacionalistas, o magnata republicano, de 70 anos, desafiou todos os prognósticos e se impôs como um duro e difícil adversário da experiente Hillary Clinton.

Seus discursos corrosivos, que reverberam frustrações e inseguranças de muitos americanos, transformaram-no na voz da mudança para milhões deles.

O magnata implodiu o Partido Republicano, incapaz de compreender seus eleitores e ainda desconcertado sobre como lidar com o furacão Trump.

Antes de lançar sua campanha em junho de 2015, o empresário era conhecido, principalmente, por sua fortuna, por seus hotéis de luxo, pelos campos de golfe e cassinos que levam seu nome, por seus divórcios e por ser o apresentador do reality show "O Aprendiz".

Tudo isso fez dele um rosto familiar nos lares americanos.

Apesar da falta de quilometragem em Washington, Donald Trump se revelou um formidável animal político, o milionário herói improvável da classe trabalhadora, prometendo "fazer os Estados Unidos grande de novo".

Imprevisível

O republicano costuma dizer o que lhe vem à cabeça, sem filtros. Denuncia um sistema político "manipulado", acusa funcionários do governo de serem "corruptos" e critica os veículos da imprensa que "envenenam o espírito dos americanos". E denuncia a possibilidade de "fraude" nas eleições americanas de 8 de novembro, o que deflagrou fortes reações contrárias, incluindo o presidente Barack Obama.

Trump oferece soluções simples para problemas complexos.

Para conter a imigração clandestina, quer construir um muro na fronteira mexicana, o qual seria integralmente pago - segundo ele - pelo México. O governo de Enrique Peña Nieto já descartou que possa haver dinheiro mexicano nessa empreitada.

Também promete expulsar os cerca de 11 milhões de imigrantes em situação ilegal - latino-americanos em sua maioria. E promete devolver empregos aos Estados Unidos, renegociando acordos comerciais internacionais.

Para prevenir ataques ao território, defende a proibição da entrada no país de imigrantes provenientes de nações com "comprovado histórico de terrorismo". Em um primeiro momento, disse que rejeitaria todos muçulmanos.

É arrogante, carismático, rude e, eventualmente, simpático. E, apesar de se contradizer com frequência, como aconteceu nos três debates presidenciais contra Hillary Clinton, seus seguidores querem e parecem acreditar nele.

Provocador

O homem que desembolsou US$ 56 milhões para financiar a própria campanha se lança como incorruptível, em comparação com sua oponente democrata, ligada ao mundo de Wall Street. Na campanha, Trump a apelidou de "Hillary, a mentirosa".

Sem constrangimentos e sem limites, insultou mulheres, muçulmanos, latinos e hostilizou negros.

Provocador, negou-se a dizer que reconhecerá os resultados das urnas - a não ser que ele seja o ganhador.

A vida privada é cercada de luxo. Sua mulher, Melania, uma ex-modelo eslovena de 46 anos, cria o filho do casal, Barron, agora com dez anos, longe dos holofotes.

Trump e Melania vivem em uma cobertura tríplex na Trump Tower, em Manhattan, e se desloca em um Boeing 757 particular, com seu sobrenome estampado nele em letras garrafais.

Seus outros filhos, Ivanka, Donald Jr., Eric e Tiffany, são seus principais pilares. Todos se envolveram ao máximo na campanha do pai, defendendo-o a cada ataque.

Donald Trump mente tanto e sobre tantos assuntos - e se engana também -, que os "verificadores de fatos" já perderam a conta.

Quando várias mulheres acusaram-no de assédio sexual, o empresário chamou todas de "mentirosas".

Não é exatamente um ideólogo, amarrado a coerências e fidelidades políticas, ou partidárias: foi democrata até 1987, depois republicano (1987-1999), membro do Partido da Reforma (1999-2001), democrata outra vez (2001-2009) e, de novo, republicano.

Nascido em Nova York, é o quarto de cinco filhos de um promotor imobiliário nova-iorquino. Logo cedo foi enviado para uma escola militar para tentar acalmar seu temperamento vulcânico.

Depois de estudar Negócios, uniu-se à empresa da família. Seu pai o ajudou com o que Trump descreve como "um pequeno empréstimo de US$ 1 milhão".

Assumiu o controle do negócio da família em 1971 e impôs sua marca. Enquanto o pai construía apartamentos para a classe média, ele preferia as torres de luxo, os hotéis-cassinos e os campos de golfe, de Manhattan a Mumbai.

Além disso, é um apaixonado pelo mundo do entretenimento. Adora luta livre e, até 2015, foi coproprietário dos concursos Miss Universo e Miss EUA. De 2004 a 2015, apresentou "O Aprendiz", programa acompanhado por milhões de telespectadores, nos Estados Unidos e no exterior.

Em sua carreira, promoveu e foi alvo de dezenas de ações civis ligadas aos negócios. Negou-se a publicar suas declarações de impostos - uma tradição para os candidatos à Casa Branca - e admitiu, com orgulho, ter sonegado impostos durante anos, após divulgar uma perda colossal de US$ 916 milhões em 1995.

"Isso faz de mim uma pessoa inteligente", afirmou, levantando mais uma vez críticas, inclusive de correligionários.

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