Surpresa do FBI embaralha fim do duelo entre Hillary e Trump

Washington, 29 Out 2016 (AFP) - Os últimos dez dias da campanha presidencial dos Estados Unidos começaram neste sábado com uma nova surpresa: a reabertura por parte do FBI das investigações sobre o uso por Hillary Clinton de um servidor privado de e-mails quando era secretária de Estado.

A candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton, reagiu e considerou, neste sábado (29), "sem precedentes" e "muito preocupante" a decisão do FBI.

"É bastante raro trazer à luz algo semelhante, com tão pouca informação, justo antes de uma eleição", declarou a ex-secretária de Estado, em um ato de campanha no estado-chave da Flórida.

"De fato, não apenas é estranho, como não tem precedentes e é muito preocupante, porque os eleitores precisam saber dos fatos em sua totalidade", acrescentou.

"Portanto, pedimos ao diretor (do FBI James) Comey que explique tudo e muito rapidamente, que ponha tudo sobre a mesa", lançou a candidata democrata.

Seu oponente, o candidato republicano Donald Trump, que parecia estar se encaminhando para a derrota nas urnas em 8 de novembro, aproveitou a oportunidade para garantir a seus seguidores que a corrida à Casa Branca ainda não foi perdida.

Ele deu um novo significado para sua campanha: a suposta "corrupção" e os problemas éticos da sua rival.

"A investigação é o maior escândalo político desde Watergate, e todo mundo espera que a justiça seja finalmente feita", afirmou o bilionário em um comício em Cedar Rapids, Iowa, na sexta-feira à noite (28).

"Hillary é a única responsável por seus crescentes problemas com a Justiça" e "deveria ter sido condenada há muito tempo", acrescentou Trump, no mesmo comício, onde voltou a denunciar o "establishment" e o "sistema fraudado".

Ele também prometeu que, "quando ganharmos" as eleições, "vamos para Washington e faremos uma limpeza".

O destaque deste fim de semana será um grande show com Jennifer López em Miami, hoje, na presença de Hillary Clinton. Já Trump irá ao Colorado e ao Arizona.

Na sexta, em uma carta à Comissão de Assuntos Judiciários da Câmara de Representantes, o diretor do FBI, James Comey, informou que seus peritos "tomaram conhecimento da existência de e-mails que parecem ser pertinentes à nossa investigação".

O FBI fez uma exaustiva investigação sobre o uso, por parte de Hillary Clinton, de um servidor para enviar e-mails quando era secretária de Estado. No final da investigação, Comey anunciou, em julho deste ano, que o FBI não apresentaria acusações formais contra a democrata, mas avaliou que ela e seus assessores foram "extremamente descuidados" no tratamento de informação sigilosa.

As milhares de novas mensagens, cujo conteúdo não foi revelado, foram descobertas pelo FBI, segundo a rede NBC, em um computador de Huma Abedin, próxima de Hillary Clinton e membro de seu gabinete no Departamento de Estado, assim como no do marido de Huma, Anthony Weiner, de quem se separou em agosto e que é alvo de uma investigação distinta por envio de mensagens de cunho sexual para uma menor de idade.

Críticas ao FBIOs democratas denunciaram a manobra do FBI, a Polícia Federal americana, em um momento tão próximo da eleição, e pediram que a situação seja esclarecida, a fim de acabar com os boatos sobre as mensagens descobertas.

"Estou certa de que isso não mudará as conclusões de julho", afirmou Hillary em relação à decisão do FBI e do Departamento de Justiça de encerrar a investigação.

"Estamos a 11 dias da, talvez, mais importante eleição nacional das nossas vidas. Não conhecemos os fatos, e estamos pedindo ao FBI que divulgue toda a informação que possui", acrescentou.

"Ao apresentar informação de maneira seletiva, (Comey) abriu caminho para as distorções e exageros partidários para causar o máximo dano político", afirmou neste sábado o responsável pela equipe de campanha de Hillary, John Podesta.

"Seria melhor se tornassem público o conteúdo dos e-mails. Tenho confiança em Hillary", disse o vice-presidente Joe Biden à rede CNN neste sábado.

Segundo vários jornais, Comey também foi criticado pelo Departamento de Justiça, ao qual o FBI é subordinado. Ele já havia sido advertido para não quebrar a tradição de não comentar casos publicamente durante as campanhas eleitorais, para não interferir nelas.

Em e-mail divulgado pelo jornal The Washington Post, ele se explicou:

"Certamente não costumamos informar o Congresso sobre casos que estão em andamento, mas, neste caso, sinto a obrigação de fazê-lo, já que, nos últimos meses, disse em repetidas ocasiões que a investigação estava concluída".

A magnitude do trabalho para estudar milhares de mensagens torna improvável, contudo, que o FBI chegue a novas conclusões antes de 8 de novembro.

A candidata democrata lidera claramente as pesquisas, enquanto a votação já começou em 34 dos 50 estados. Mais de 18 milhões de americanos já votaram antecipadamente.

Nas últimas semanas, os dois candidatos multiplicaram suas aparições em estados como Flórida, Carolina do Norte, Iowa, Ohio, New Hampshire e Arizona, os quais poderiam decidir o resultado da eleição.

As últimas pesquisas apontam para um ligeiro acirramento em alguns estados-chave e em nível nacional (45,1% contra 40,7%). Nesse contexto, o anúncio da reabertura da investigação pelo FBI complica o futuro da campanha, que os democratas pretendiam dedicar a uma grande operação de mobilização.

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