Partidos políticos iniciam negociações após eleições na Islândia

Reykjavik, 30 Out 2016 (AFP) - A Islândia iniciou neste domingo uma fase de intensas negociações políticas após eleições legislativas antecipadas que não definiram uma maioria, apesar dos bons resultados dos Piratas frente à direta governamental.

Pequena ilha no Atlântico Norte, a Islândia parece dividida entre uma parte da população que aspira a virar a página da crise financeira de 2008 e uma outra principalmente preocupada na estabilidade e independência.

A votação concedeu 29 assentos de um total de 63 para a coalizão de centro-direita, contra 27 assentos para os Piratas e seus aliados de centro-esquerda, de acordo com os resultados finais anunciados neste domingo.

Com sete mandatários, o partido centrista Ressurreição, criado na primavera por dissidentes do Partido da Independência, poderia emergir como árbitro desta eleição.

"Estão abertos a trabalhar com a esquerda ou com a direita", mas no caso de negociações com o Partido da Independência "irá impor suas condições", prevê Gretar Eytorsson, professor de ciência política na Universidade de Akureyri.

A eleição em um turno convocada antecipadamente em virtude da renúncia do primeiro-ministro David Sigmundur Gunnlaugsson (Partido do Progresso), único chefe de governo vítima do escândalo do Panamá Papers, foi um sucesso sem brilho para o Partido Pirata que haviajurado "escrever a História".

O partido triplicou sua pontuação de 2013 e se tornou a segunda força política do país, junto com o movimento Esquerda-Verdes. Mas sem atingir os 12 membros exigidos não é capaz de assegurar uma maioria com os seus aliados.

Birgitta Jónsdóttir, líder dos Piratas, deve conceder uma conferência de imprensa em Reykjavik, às 15h00 GMT (12h00 de Brasília). "Estamos muito satisfeitos", disse ela no sábado à noite, chamando seus apoiantes e ativistas de "Robin Hood" e se comprometendo a "tomar o poder dos poderosos para dar ao povo".

Movimento heterogênea de hackers, ativistas ambientais e libertários criado em 2012, o "Piratar" parecia ter feito a parte mais difícil, selando um acordo de coalizão antes da eleição com três partidos de oposição de esquerda e centro.

Tradicionalmente, o presidente islandês confia ao líder do partido que vence a votação a tarefa de negociar uma coalizão. Desta forma, essa tarefa caberia ao presidente do Partide de Independência, Bjarni Benediktsson, atual ministro das Finanças.

Para Birgir Armannsson, deputado do Partido da Independência, que, com o Partido do Progresso (centro-direita) governa o país desde 2013, a sanção das urnas é, sem dúvida, dada ao "sentimento anti-establishment" que prevalece na Islândia.

Esta rejeição aos partidos tradicionais tem suas origens na crise financeira de 2008 e com o escândalo dos Panamá Papers que derrubou em abril o primeiro-ministro David Sigmundur Gunnlaugsson (Partido do Progresso), cujo nome estava em uma lista de 600 titulares islandeses de contas offshore.

Se a Islândia, ilha de 332.000 habitantes, se recuperou economicamente (mais de 4% de crescimento previsto para este ano, graças ao turismo e a um sistema financeiro reestruturado, os islandeses, especialmente os mais jovens, continuam a nutrir grande desconfiança em relação as elites do país.

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