Diplomatas espanhóis são investigados após ataque à embaixada em Cabul

Madri, 2 Nov 2016 (AFP) - Um juiz da Audiência Nacional espanhola acolheu, nesta quarta-feira (2), uma ação contra os dois principais responsáveis pela embaixada no Afeganistão, devido à falta de segurança na missão quando esta sofreu um letal atentado em 2015.

Apresentada pela família de um dos dois policiais que faleceram e de outros sete agentes feridos, a demanda acusa de homicídio culposo o ainda embaixador Emilio Pérez de Ágreda, um dos responsáveis pela legação diplomática na época, junto com Oriol Solá.

Em seu auto publicado nesta quarta, o juiz Santiago Pedraz indica que, de acordo a ação, as autoridades diplomáticas desconsideraram as advertências sobre as carências de segurança do imóvel emitidas desde sua construção em 2008.

O prédio se encontrava fora do perímetro de segurança da capital afegã, conhecido como "Zona Verde". Quando o atentado foi cometido, Pérez de Ágreda tirava férias na Espanha, e quem estava no comando era Oriol Solá.

Segundo os demandantes, Solá "tampouco respeitava qualquer medida de segurança" e até permitia "o trânsito de mercadores, que passeavam pela embaixada, consentindo com a entrada de carros, furgões e caminhões com jóias, tapetes e outros utensílios".

Além disso, no dia do atentado, 11 de dezembro de 2015, os Serviços Secretos franceses alertaram sobre o risco de atentado contra a embaixada espanhola, mas nenhuma medida de segurança extraordinária foi tomada, insistem os denunciantes.

Para o juiz, os fatos "têm uma primeira aparência de infração penal", motivo pelo qual cabe investigar, completa a Audiência Nacional em um comunicado.

Contactado pela AFP, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores espanhol garantiu "a máxima disponibilidade" da pasta e do embaixador de colaborar com a Justiça.

O ataque reivindicado pelos talibãs começou com a explosão de um carro-bomba contra os muros da embaixada espanhola.

Pelo buraco provocado pela deflagração, entraram três homens armados, e houve tiroetio dentro da missão diplomática. Os invasores acabaram sendo abatidos com a ajuda de forças afegãs e americanas.

Na troca de tiros, morreram dois policiais espanhóis e quatro afegãos.

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