França evacua 1.500 menores de idade que viviam na 'Selva' de Calais

Calais, França, 2 Nov 2016 (AFP) - As autoridades francesas transferiram, nesta quarta-feira, cerca de 1.500 menores de idade que viviam no acampamento de migrantes de Calais para centros de acolhida em diversas cidades da França, onde serão processados seus pedidos de asilo no Reino Unido.

Os últimos ônibus partiram pouco depois das 13H00 (Brasília) do centro em Calais, onde haviam sido reagrupados os menores sem família que viviam na chamada "Selva", depois do desmantelamento deste acampamento localizado no extremo norte da França na semana passada.

Os menores serão realocados em centros espalhados pelo país, onde serão examinados os pedidos de transferência para o Reino Unido daqueles que afirmam ter parentes em território britânico, para fazer valer o direito ao reagrupamento familiar reconhecido pela União Europeia.

"Estou muito contente de partir, vou por alguns dias a outro lugar na França e depois irei para a Inglaterra. Pelo menos é o que espero, minha família está me esperando", declarou sorridente Yusseph, um afegão de 15 anos.

Os demais, que não querem renunciar ao sonho britânico, esperam beneficiar de um dispositivo para os migrantes em situação de "vulnerabilidade".

Dois representantes do Ministério do Interior britânico, dois companheiros e um intérprete viajam com os menores em cada ônibus.

Após o desmantelamento de Calais em meados de outubro, cerca de 300 menores de idade foram acolhidos no Reino Unido.

Apesar disso, o Comitê dos direitos das crianças da ONU criticou nesta quarta-feira a França e o Reino Unido, considerando que não cumpriam com "suas obrigações em matéria de direitos das crianças".

A "Selva" de Calais, um imenso acampamento de barracos, foi desmantelada na semana passada. Cerca de 4.500 adultos foram transferidos para abrigos espalhados por toda a França e 1.500 crianças foram agrupadas em contêineres adaptados como casas.

Após a transferência desses menores, será a vez das cerca de 400 mulheres e crianças instaladas em um centro de acolhida adjacente à "Selva".

Entre 6.400 e 8.100 migrantes viviam em condições insalubres neste acampamento que se transformou em um símbolo do fracasso das políticas migratórias europeias.

Acampamentos nas ruas de ParisPara as autoridades francesas, o desmantelamento total do acampamento de Calais é uma prioridade. Sua proximidade com a costa britânica fez dessa região no norte da França um ímã para os migrantes, que ao longo dos anos se instalaram em acampamentos improvisados.

Esses migrantes, em sua maioria afegãos, sudaneses e eritreus, fugiram da guerra e da pobreza extrema em seus países.

O presidente socialista François Hollande disse na terça-feira em uma entrevista a um jornal local, La Voix du Nord, que não permitirá a reinstalação de migrantes em Calais.

No entanto, apesar da evacuação desse assentamento, a crise de migrantes persiste na França.

Há vários dias, multiplicam-se no norte da capital francesa os acampamentos improvisados, com até 2.000 migrantes que se instalaram em tendas no meio das ruas.

De acordo com várias associações, os acampamentos informais em Paris não pararam de crescer desde a evacuação de Calais. Mas, para as autoridades, não há nenhuma relação entre este fenômeno e o desmantelamento da "Selva".

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, planeja abrir nas próximas semanas um centro de acolhimento temporário, no norte da capital, com capacidade para 400 pessoas.

Mais de 300.000 migrantes e refugiados cruzaram o Mar Mediterrâneo para chegar à Europa em 2016. Ao menos 3.800 morreram ou desapareceram na perigosa travessia, segundo dados da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR).

zl-rl/meb.

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