Mossul, a hora da verdade para um exército iraquiano renascido

Bagdá, 2 Nov 2016 (AFP) - De volta a Mossul, as forças iraquianas têm a oportunidade de se redimirem dois anos depois de abandonarem a segunda maior cidade do país frente ao avanço do grupo extremista Estado Islâmico (EI).

"O exército não é o mesmo exército" de 2014, garante o general Qassem al-Maliki, comandante da 9ª Divisão, uma das unidades que vieram para Mossul.

Alguns de seus soldados podem comprovar o que diz porque viveram a rápida queda desta cidade do norte do país durante a ofensiva relâmpago que permitiu que os extremistas assumissem o controle de grandes faixas de território no Iraque e na Síria.

Dois anos e meio depois, voltar a Mossul "é um momento simbólico" para um exército "que afundou dramaticamente em junho de 2014", ressalta Patrick Martin, especialista em Iraque no Instituto para o Estudo da Guerra.

Para o especialista, o exército volta "melhor formado" e mais forte com o "apoio da coalizão" internacional liderada pelos Estados Unidos.

Além da campanha aérea contra posições do EI, essa coalizão internacional incumbiu-se da tarefa de reconstruir um exército iraquiano capaz de lutar.

Para isso, os Estados Unidos e seus aliados enviaram milhares de conselheiros militares para o Iraque.

Até agora, treinaram e formaram cerca de 54.000 soldados iraquianos, policiais e combatentes curdos (Peshmergas), segundo o porta-voz da coalizão John Dorrian.

Enquanto isso, o primeiro-ministro Haider al-Abadi fez uma verdadeira limpeza no topo do exército, excluindo vários oficiais desde que chegou ao poder em 2014.

Eles foram substituídos por oficiais considerados mais competentes e confiáveis aos olhos das tropas.

A queda de Mossul é explicada precisamente pela "incompetência" dos comandantes anteriores, durante e depois da batalha, que se renderam "a todo tipo de corrupção", segundo denunciou um relatório parlamentar em 2015.

'Fuga dos comandantes'Assim, na noite anterior à queda, um dos principais comandantes do exército, enviado para Mossul, retirou-se da cidade com "mais de 30 veículos blindados, derrubando muito o moral das tropas", segundo o relatório.

O EI utilizou esta retirada para "divulgar informações da fuga dos comandantes", denegrindo a imagem do exército.

Segundo especialistas, o Iraque ainda está pagando o preço da campanha de desbaatificação do país, que se seguiu à derrubada em 2003 do regime sunita de Saddam Hussein por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos.

Muitos ex-comandantes, entre os melhores treinados no país, se juntaram aos rebeldes jihadistas.

Para a campanha para reconquistar as cidades tomadas pelo EI, como Tikrit e Fallujah, as tropas governamentais receberam a inestimável ajuda de forças paramilitares, Unidades de mobilização popular (Hachd Al Chaabi em árabe), compostas principalmente por milícias xiitas apoiadas pelo Irã.

"O exército iraquiano ganhou todas as batalhas que travou desde maio de 2015", ressalta Michael Knights, do Washington Institute for Near East Policy. "E a principal razão é a qualidade dos líderes que comandam as principais divisões", afirma.

Mas para o especialista Patrick Martin, todos os problemas não desapareceram. Ele cita "o déficit de mão de obra e corrupção", bem como a infiltração nas forças do Ministério do Interior por milicianos.

Para as dezenas de milhares de combatentes envolvidos, o momento da verdade chegou com a dura batalha para controlar o centro de Mossul.

"A reconquista do Mossul viria para coroar o renascimento do exército iraquiano", resume Knights.

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