Na Pensilvânia, os indecisos são raros, mas o entusiasmo é pouco

Allentown, Estados Unidos, 3 Nov 2016 (AFP) - No centro da Pensilvânia, estado-chave na corrida à presidência dos Estados Unidos, poucos são os que ainda hesitam entre Donald Trump e Hillary Clinton, mas a imagem degradada dos candidatos faz com que todos desejem logo o fim da campanha.

"Nós acabamos de ser chamados de nazistas!", reclama Susan, uma aposentada exibindo um cartaz proclamando "deplorables for Trump" (referindo-se ao termo "deploráveis" usado por Hillary Clinton para designar os eleitores de Trump), olhando um veículo se distanciar.

Com Susan, cerca de vinte partidários de Trump se reuniram para um "flash mob" num cruzamento muito movimentado no centro de Allentown, uma pequena cidade da Pensilvânia.

Polegares para cima, mas também indicadores apontando, buzinas amigáveis, muitos "Fuck Trump!", as reações opostas a esta reunião improvisada mostra o clima de polarização reinante.

Neste momento, todo mundo parece ter escolhido seu lado, embora alguns tenham mudado recentemente.

Susan garante que alguns de seus "bons amigos" democratas se juntaram ao lado do candidato republicano "no mês passado".

Kuri Edwards, uma jovem negra, decidiu recentemente votar em Hillary Clinton, quando pretendia se abster.

Ela diz que escolheu o candidato "menos pior", uma expressão que se repete na boca de Frank Behum, ex-operário da siderurgia de Bethlehem, a poucos quilômetros de Allentown.

Para ele, apesar de ambos os candidatos "estarem no bolso de Wall Street", decidiu seguir Hillary Clinton.

Ele sabe que muitos operários do ramo, minoria segundo ele, vão escolher Donald Trump porque ele prometeu-lhes empregos, 21 anos após o encerramento da usina de Bethlehem.

"Eles se agarram ao primeiro que lhes diz o que querem ouvir", embora historicamente, lembra ele, o governo americano "nunca fez nada para a indústria do aço".

'Muito ódio'"Muitos parecem votar contra um candidato", observa Charlie Dent, deputado republicano no Congresso pela circunscrição que compreende Allentown e Bethlehem.

Ele já anunciou que não votará em Trump nem em Hillary, o que lhe valeu críticas em seu próprio campo.

Em um distrito atípico, de maioria democrata, mas com um republicano eleito para a Câmara dos Representantes, Charlie Dent não beneficia de qualquer margem de manobra para manter o seu assento, em jogo na terça-feira.

"A maioria (dos eleitores) entende, porque eles sentem o mesmo que eu", disse ele.

"Nosso país está cheio de ódio e frustração", lamenta.

E a eleição de terça-feira nada vai mudar, adverte, porque "o próximo presidente será provavelmente o mais impopular que jamais foi eleito".

Apesar do fechamento da fábrica de aço e uma recente onda de demissões na fabricante de veículos Mack Trucks, a economia local está indo muito bem e a taxa de desemprego é baixa (4,9%).

Mas muitos dos postos de trabalho criados, particularmente no setor de logística, são mal pagos, diz Frank Behum, e a recuperação não é convincente.

Neste contexto sombrio, o desafio não é convencer os indecisos, mas assegurar, dizem eles, a participação em seu acampamento.

"Alguns", cansados dos comentários negativos, "vão desanimar" e não vão votar, antecipa Tom Carroll, que organizou dezenas de mobilizações relâmpago para apoiar Donald Trump.

Ele acha que a participação será maior entre os republicanos, mais engajados, segundo ele.

De acordo com uma pesquisa da CNN/ORC divulgada na quarta-feira, Hillary Clinton tem uma vantagem de 4 pontos na Pensilvânia.

"Na minha família, todos hesitam em votar", explica Kuri Edwards, que afirma que muitos colegas não vão às urnas por falta de convicção.

"E eu digo a eles: se vocês não votarem, será pior que votar em um ou no outro".

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