Chile protesta contra sistema de aposentadorias herdado de Pinochet

Santiago, 5 Nov 2016 (AFP) - O Chile teve nesta sexta-feira um dia de violentos protestos contra o sistema de previdência privado instaurado pela ditadura de Augusto Pinochet, que após três décadas situa a aposentadoria média abaixo do salário mínimo.

O protesto, que começou com barricadas e o incêndio de dois ônibus de transporte municipal, coincide com a greve de funcionários públicos para exigir um aumento de salários ao governo da presidente Michelle Bachelet.

Em ao menos 27 pontos da capital, manifestantes queimaram pneus e outros objetos, conseguindo paralisar o trânsito em várias zonas no horário de pico durante a manhã.

Dois ônibus que circulavam com passageiros foram parados e posteriormente queimados com coquetéis molotov, em uma ação que não deixou feridos.

"Não é certo que, por mais legítimas que sejam as reivindicações, a maioria dos cidadãos seja prejudicada", declarou o subsecretário do Interior e Segurança, Mahmud Aleuy.

Após o meio-dia, milhares de pessoas se reuniram na Praça das Armas de Santiago - convocada pelo movimento NO+AFP - para exigir o fim das Administradoras de Fundos de Pensões, as instituições privadas que administram os fundos de aposentadoria dos trabalhadores chilenos.

Da Praça das Armas em Santiago, os manifestantes seguiram em passeata até a sede do governo, onde enfrentaram a polícia, que utilizou bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água para dispersar a multidão.

Em todo o Chile, foram registradas 29 passeatas, com a participação de cerca de 15 mil pessoas em Santiago e outras 60 mil em todo o país, segundo o ministério do Interior.

A polícia deteve 87 pessoas e sete carabineiros ficaram feridos.

O sistema de previdência criado no início da década de 80 pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) utiliza a capitalização individual do trabalhador, com uma contribuição de 10% do salário, sem qualquer contrapartida da empresa.

Mas após três décadas de funcionamento, o sistema fracassou em sua promessa de entregar como aposentadoria 70% do último salário do trabalhador. Hoje, em média, as aposentadorias no Chile estão abaixo do salário mínimo, em torno de 398 dólares.

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