França retira 4.000 migrantes das ruas de Paris

Paris, 4 Nov 2016 (AFP) - Centenas de policiais desmantelaram nesta sexta-feira um imenso acampamento de migrantes no nordeste de Paris, em um novo sinal da determinação do governo para retirar os migrantes das ruas e levá-los a abrigos.

A evacuação deste acampamento improvisado, no qual mais de 3.800 migrantes se abrigavam em barracas, ocorre menos de duas semanas após o desmantelamento da chamada "Selva" de Calais, o maior acampamento de migrantes da França.

A polícia chegou cedo ao acampamento improvisado, ocupado principalmente por sudaneses, afegãos e eritreus, localizado sob um metrô aéreo em um bairro desfavorecido do norte da capital francesa.

Todos foram levados de ônibus a centros de acolhida na região parisiense.

"Não tenho nem ideia de onde vamos. A Paris, mais longe... está bem. O mais importante é ter documentos. Estou há um mês aqui em uma barraca, é bom poder ir", declarou Khalid, um migrante de 28 anos.

Os migrantes receberam com gritos de alegria e alívio os primeiros ônibus. "Estou feliz de ir embora. Aqui é terrível. É a primeira vez em que vivo em condições similares", explica Anarzalah, um engenheiro afegão de 28 anos.

Seis horas depois, a operação havia terminado e os serviços de limpeza começaram a retirar das calçadas as barracas, os colchões e cobertores com os quais os migrantes tentavam se aquecer em meio a temperaturas de até 2 graus durante a noite.

O acampamento insalubre já havia sido evacuado várias vezes no passado, mas foi reerguido sistematicamente, estendendo-se por várias centenas de metros.

A seis meses das eleições presidenciais, a gestão da chegada de migrantes e refugiados à França se converteu em um tema central da campanha.

Após o desmantelamento na semana passada do acampamento de migrantes de Calais, diante da costa inglesa, o governo quer demonstrar que controla a situação.

"Não podemos tolerar os acampamentos" informais de migrantes na França, declarou no sábado o presidente socialista François Hollande, que deseja oferecer uma "acolhida digna" a estas pessoas.

Mais de 6.000 migrantes, incluindo mais de mil menores que chegaram à Europa sozinhos, foram retirados de Calais e realocados em centros de acolhida em toda a França.

- Vagas para todos - A Europa vive sua pior crise migratória desde a Segunda Guerra Mundial, com a chegada de 1,5 milhão de migrantes que cruzaram o Mediterrâneo desde 2014, fugindo da guerra e da pobreza.

A França foi considerada durante muito tempo um país de trânsito. Em 2015 recebeu 80.000 pedidos de asilo, contra cerca de um milhão na Alemanha. Mas neste ano o número de solicitantes alcançará os 100.000.

Embora este aumento seja modesto em comparação com outros países, as autoridades precisaram buscar de forma urgente novas estruturas de acolhida. Este problema voltou a ser levantado nesta sexta-feira, com a evacuação do acampamento parisiense.

"Temos vagas para acolher a todos", afirmou a ministra da Habitação, Emmanuelle Cosse, presente durante a operação.

Mas as associações de defesa dos exilados manifestaram sua inquietação sobre as condições de vida nestes refúgios. Centenas de migrantes serão realojados em ginásios ou hotéis de baixa categoria.

Alguns moradores da região temem, no entanto, o retorno dos migrantes, como já ocorreu várias vezes.

"É como esvaziar um oceano com uma colher. Voltem em um mês, verão que haverá o mesmo número de pessoas", afirmou um homem de 50 anos.

cg-pau-cld/meb/me/ma

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos