Irã é pessimista sobre próximo presidente dos EUA

Teerã, 4 Nov 2016 (AFP) - O Irã acompanha de perto a campanha presidencial americana - pela primeira vez ao vivo, inclusive para a televisão pública -, mas não espera nada de bom do próximo ocupante da Casa Branca.

Os Estados Unidos - que romperam relações diplomáticas com o Irã em 1980, meses depois da Revolução Islâmica - são o principal "inimigo" de Teerã, apesar do degelo esboçado pelo acordo nuclear de 2015.

Esse acordo permitiu suspender parte das sanções internacionais que pesavam contra o país.

O governo iraniano acusa Washington por todos os males na região, entre eles a desestabilização do Oriente Médio, o apoio a seu arquirrival regional - a Arábia Saudita -, ou sua relação privilegiada com Israel.

Essa hostilidade não impede, porém, que a comunidade intelectual e política iraniana acompanhe com interesse a campanha americana. Pela primeira vez, um debate entre candidatos à presidência foi transmitido ao vivo pela televisão pública.

Nesse debate, o terceiro e último da campanha, especialmente tenso, entre a candidata democrata, Hillary Clinton, e o republicano, Donald Trump, o guia supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, chegou inclusive a tuitar e lamentar a "falta de espiritualidade e de fé" dos dirigentes americanos.

Para o presidente iraniano, Hassan Rouhani, um religioso moderado eleito em 2013 e que pretende voltar a se candidatar em 2017, a eleição nos Estados Unidos oferece uma opção entre o "ruim" e o "pior" - sem identificar a quem se referia especificamente.

Os golpes baixos trocados entre os candidatos deflagraram inúmeros comentários no Irã.

"Com essa atitude e com esses modos, vão danificar o status de superpotência dos Estados Unidos", comemorou Hamid Reza Taraghi, dirigente de um partido islâmico.

Por isso, completou, "os dois (candidatos) estão bem para nós".

Hillary: 'mais dura' do que TrumpO analista conservador Foad Izadi declarou ao jornal Sobh No que, "embora os dois candidatos sejam inimigos do Irã (...) Hillary é pior opção" que Trump, devido à dureza já demonstrada quando era secretária de Estado, a respeito das sanções internacionais contra Teerã por seu programa nuclear.

Mesmo no campo reformista, há muitas interrogações.

"Desta vez, é difícil tomar posição", considera o analista e jornalista Abas Abdi, que escreveu, nas duas eleições presidenciais anteriores, que "apoiar Obama era do interesse do mundo e do Irã".

Abdi disse, porém, "preferir" Hillary, embora considere que "os interesses da mesma estão vinculados aos grupos que originam crises na região" e que sua "preferência em relação à Arábia Saudita e a Israel" é algo ruim para o Irã.

Os iranianos agora se questionam sobre o que acontecerá com o histórico acordo nuclear fechado em julho de 2015 entre o Irã e as seis potências mundiais, entre elas os Estados Unidos.

"Trump considera como o pior dos acordos que ele já viu" e prometeu "rompê-lo", se for eleito, lembra François Nicoullaud, ex-embaixador da França em Teerã e especialista em Irã. Hillary, porém, "que se compromete a aplicá-lo, manterá uma atitude de grande desconfiança em relação ao Irã", completou.

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