Senado, a outra grande batalha da eleição americana

Washington, 4 Nov 2016 (AFP) - Enquanto Hillary Clinton e Donald Trump monopolizam as atenções para as eleições de 8 de novembro, outra batalha áspera é travada no Congresso americano, onde o Senado pode voltar para as mãos do Partido Democrata.

Atualmente, as duas câmaras - o Senado e a Câmara de Representantes - estão em poder do conservador Partido Republicano, e por isso a disputa pelo controle do Capitólio é fundamental para garantir a estabilidade do novo presidente... ou para colocar obstáculos a sua ação.

Nesta eleição, a totalidade da Câmara de Representantes será renovada: os 435 assentos dos legisladores e também os seis representantes territoriais sem direito a voto (incluindo o de Porto Rico).

Os republicanos, que atualmente possuem 246 assentos, deverão manter a maioria, de acordo com as pesquisas.

Enquanto isso, no Senado estarão em jogo 34 assentos e nesta Câmara Alta os democratas têm excelentes chances de recuperar a maioria que perderam em 2014.

Caso Hillary vença a eleição presidencial, a conquista do Senado é considerada fundamental, não apenas para restabelecer o equilíbrio com o controle republicano na Câmara Baixa, mas também porque os empates no Senado são quebrados com o voto do vice-presidente dos Estados Unidos.

Neste cenário, a grande questão para os aspirantes republicanos a uma vaga do Senado é até que ponto devem manter sua campanha ligada à de Trump, ou até que ponto podem se beneficiar de manter uma distância saudável do candidato milionário.

- Trump, uma faca de dois gumes -"Em alguns casos, se distanciar de Trump pode permitir a vitória de republicanos que estão em campanhas muito disputadas", disse à AFP Gary Nordlinger, professor de política da Universidade George Washington.

"Mas é uma faca de dois gumes. Trump é muito popular em sua base eleitoral, de forma que se afastar de Trump também pode significar se afastar desta base eleitoral", acrescentou.

Por isso, há consenso de que o desejo dos republicanos de manter o controle do Senado corre riscos.

O analista Nate Silver, que tem uma sólida reputação em antecipar resultados, estimou no blog de política FiveThirtyEight que os democratas têm 65% de chances de ganhar o Senado.

Enquanto isso, um estudo do Cook Political Report estimou que os democratas deverão obter entre cinco e sete novos assentos no Senado.

As pesquisas indicam que possivelmente os assentos de Illinois e Wisconsin mudarão de mãos e passarão para os democratas. Os candidatos republicanos também estão em situação vulnerável em New Hampshire, Carolina do Norte e Pensilvânia, além de travar disputas acirradas em Flórida e Indiana.

Com esta situação difícil para os aspirantes republicanos, um comitê de ação política fortemente conservador deu a meia dezena de campanhas 25 milhões de dólares.

"Sabemos que será um desafio difícil manter o Senado como está, mas, se os democratas quiserem a maioria, então teremos uma disputa infernal", disse Ian Prior, porta-voz deste grupo, o Fundo para a Liderança do Senado.

Em resposta, a campanha de Hillary parece estar pronta para o desafio, e por isso se concentra claramente em regiões onde a batalha pelo assento do Senado parece mais acirrada.

- Uma trincheira -Por sua vez, a Câmara de Representantes é claramente uma verdadeira trincheira dos republicanos.

O presidente da Câmara, Paul Ryan, é o republicano com o mais alto cargo eletivo e mantém uma tensa relação com Trump, a ponto de ter anunciado publicamente que não apoia sua candidatura à Casa Branca.

Para irritação de Trump, Ryan disse que nesta campanha se concentrará em fazer com que os republicanos mantenham a maioria da câmara baixa.

Os democratas, no entanto, acreditam que poderão minar esta maioria republicana, tomando dela 10 ou 20 assentos.

O Centro de Política da Universidade da Virgínia estima que os democratas podem obter entre 10 e 15 novos assentos. Isso será insuficiente para conquistar a Câmara de Representantes, mas reduz o espaço de manobra da maioria republicana.

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