Taxa de desemprego cai nos EUA às vésperas da eleição

Washington, 4 Nov 2016 (AFP) - A taxa de desemprego nos Estados Unidos recuou em outubro ante uma estável criação de novos postos de trabalho - no entanto, ficou abaixo das expectativas.

O departamento do Trabalho anunciou nesta sexta-feira que o índice de desemprego retrocedeu um décimo, a 4,9%, e a criação de emprego foi de 161.000 em outubro, em dados corrigidos por variações sazonais, contra 191.000 em setembro (cifra revisada em alta).

Os analistas esperavam 175.000 novas contratações.

Os números mostram que a economia americana permanece sólida para enfrentar um aumento da taxa de juros.

"Este informe sobre o emprego, último importante indicador econômico publicado antes da eleição, é realmente bom", resumiu Joel Naroff, um economista independente.

A economia americana criou 161.000 novos empregos em outubro, em dados corridos, contra 191.000 em setembro (número revisado em alta).

Embora o número de novos empregos seja inferior ao previsto pelos analistas, que esperavam 175.000 novas contratações, essa pequena decepção é compensada com as revisões em alta dos dois meses anteriores (+44.000).

Um dos elementos destacáveis é o aumento do salário médio por hora (+0,4% no mês, 10 centavos a mais por hora). O Federal Reserve (Fed) observa de perto essa situação porque, em geral, um aumento das remunerações precede uma aceleração da inflação.

"Certamente irá satisfazer o desejo do Comitê Monetário do Fed (FOMC) de ter 'mais provas' de que o mercado de trabalho e a inflação estão no bom caminho", disse Chris Williamson, de IHS Markit.

O Banco Central publicará um novo relatório sobre o emprego no começo de dezembro, antes da reunião do comitê de política monetária de 13 e 14 de dezembro, quando se considera que será mais provável um aumento dos juros.

"Parece que o único obstáculo à elevação dos juros em dezembro seria uma reação negativa dos mercados financeiros à eleição presidencial" de 8 de novembro, advertiu Chris Williamson.

O maior aumento de salários desde 2009A Casa Branca ressaltou em um comunicado o ritmo de criação de empregos no mês passado "muito acima do necessário para manter a taxa de desemprego baixa e estável".

Jason Furman, que preside o círculo de assessores econômicos do presidente Barack Obama, destaca que o aumento da remuneração média (+2,8% no ano) "é o mais forte desde o início da recuperação econômica", em 2009.

"Há mais trabalho para fazer", acrescentou, retomando os temas de campanha da candidata democrata Hillary Clinton, como a importância de investir em infraestrutura e de aumentar o salário mínimo.

O candidato republicano, Donald Trump, repetiu em várias ocasiões que a economia americana é "um desastre" e afirmou que "cerca de um quarto das pessoas em idade de trabalhar não tem emprego".

O relatório sobre o emprego também tem outros pontos fracos. A participação no mercado de trabalho, que leva em conta quantas pessoas têm emprego e quantas procuram trabalho ativamente, caiu para 62,8%, o que ajuda a reduzir a taxa de desemprego nas estatísticas. Aqueles que encontraram um trabalho de tempo parcial continuam sendo numerosos: 5,9 milhões de pessoas.

"Está claro graças às pesquisas sobre emprego que há uma corrente de incerteza no nível das empresas que está vinculada à eleição presidencial", assegurou Chris Williamson d'IHS Markit.

"A eleição na semana que vem tem a chave de uma possível aceleração do crescimento no quarto trimestre e até de um possível aumento dos juros", afirmou o economista.

Outro dado positivo publicado nesta sexta-feira foi o do déficit comercial, que caiu em setembro graças ao aumento das exportações e à queda das importações. Essa boa surpresa poderá fazer que a taxa de crescimento seja revisada em alta, a 3%, no terceiro trimestre.

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