Forças iraquianas combatem 'casa por casa' extremistas em Mossul

Bartalla, Iraque, 5 Nov 2016 (AFP) - Forças especiais iraquianas combatiam neste sábado "casa por casa" em Mossul, depois de uma primeira incursão na cidade iraquiana na qual encontraram uma feroz resistência dos extremistas que defendem o principal reduto do Estado Islâmico (EI) no Iraque.

Por sua vez, o exército e a polícia federal iraquianos lançaram um ataque contra uma das últimas localidades nas mãos do EI nos arredores de Mossul, em uma frente na qual avançam lentamente.

Na própria Mossul, "nossas forças travam agora combates ferozes nos bairros do leste" da cidade, afirmou o porta-voz das unidades antiterroristas (CTS), Sabah al-Noma. "A luta é casa por casa", explicou.

O CTS (Comando Antiterrorista Iraquiano) havia entrado na sexta-feira com veículos blindados no bairro de Al Karama, no leste de Mossul, onde precisou enfrentar um dilúvio de bombas e disparos dos combatentes do EI.

Alguns destes blindados precisaram sair após algumas horas, constatou uma jornalista da AFP.

"Não esperávamos uma resistência como essa, (os extremistas) bloquearam todas as estradas", explicou um oficial do CTS que pediu o anonimato.

"Os extremistas eram muito numerosos. Era preferível recuar e elaborar um novo plano", explicou.

Em Bartalla, localidade situada a leste e que as forças iraquianas usam como base de retaguarda, as ambulâncias iam e voltavam da frente de combate com soldados do CTS feridos em Mossul.

Segunda cidade iraquiana mais importante, Mossul, conquistada pelo EI em junho de 2014, se converteu desde então no reduto deste grupo extremista no Iraque.

Foi ali que, diante do choque mundial, o chefe do EI, Abu Bakr al Baghdadi, proclamou um califado que incluía os territórios que o grupo extremista conquistou na Síria e no Iraque, e que foi perdendo posteriormente de forma progressiva.

- Convocados a lutar até o fim -O grupo EI parece ter se tornado militarmente mais pragmático na proteção de seu califado, e evitou a defesa de algumas das localidades que conquistou em meados de 2014, renunciando a elas inclusive sem lutar.

Mas o caso de Mossul - onde cerca de 1,2 milhão de civis estão sitiados - parece diferente. Acredita-se que entre 3.000 e 5.000 extremistas estejam no interior da cidade, encorajados por uma incomum mensagem sonora enviada nesta semana por seu líder Abu Bakr al-Baghdadi, que rompeu um ano de silêncio para convocar seus combatentes a lutar até o fim para defender Mossul.

Por outro lado, forças federais atacaram neste sábado a localidade de Hamam al-Alil, uma das cidades localizadas entre sua base de Qayyarah e Mossul.

"O exército e forças federais estão atacando a zona de Hamam al-Alil a partir de três lugares, com o apoio da aviação", disse o general Abdulamir Yaralah em um comunicado divulgado pelo comando conjunto das operações.

A operação para reconquistar Mossul, lançada em 17 de outubro, foi freada na frente sul pelos artefatos explosivos plantados pelos extremistas nos povoados, e pelas medidas de segurança tomadas para evitar que os civis fiquem presos em meio aos tiroteios.

- Temor de grande êxodo -Por outro lado, o ministério iraquiano para as Migrações indicou em um comunicado ter "recebido 9.000 deslocados nos últimos dois dias". Desde o início da ofensiva para reconquistar Mossul, contabiliza no total 29.539 deslocados.

As organizações humanitárias travam uma corrida contra o tempo para instalar acampamentos de acolhida e se preparar para o grande êxodo que é esperado dos habitantes de Mossul.

Em um acampamento a leste de Mossul, deslocados iraquianos vivem em condições deploráveis.

"Deram-nos cobertores, mas não é suficiente. Faz muito frio. Somos 19 nesta barraca", explica Yunes Hassan, de 53 anos. "Quando trago comida, meus filhos brigam" por ela, afirma por sua vez Ahmed, de 30 anos.

Finalmente, no ar a aviação da coalizão anti-extremista liderada pelos Estados Unidos diz ter intensificado seus bombardeios, mas as tropas iraquianas em terra pedem um apoio mais importante.

bur-jmm/wd/kir/me/ma

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos