Hillary e Trump, na reta final da campanha com discursos opostos

Cleveland, Estados Unidos, 5 Nov 2016 (AFP) - Hillary Clinton e Donald Trump iniciavam neste sábado os últimos três dias da campanha presidencial nos Estados Unidos com visões claramente opostas do país, com uma celebração ao otimismo, de um lado, e denúncias de uma corrupção generalizada, do outro.

A maioria das pesquisas atribui à ex-secretária de Estado, de 69 anos, uma vantagem mínima sobre o polêmico milionário, de 70, mas a disputa segue sem um favorito definido em vários estados considerados fundamentais para alcançar a Casa Branca.

No entanto, na última semana Trump iniciou uma esmagadora ofensiva encorajado por pesquisas que indicam a diminuição de sua diferença com Hillary.

Neste contexto, Trump define Hillary como um produto do corrupto e incompetente "establishment" da política americana, ao mesmo tempo em que Hillary optou por se cercar de artistas conhecidos, como no show em que foi homenageada pela estrela Beyoncé.

O fortalecimento tardio de Trump na campanha se tornou evidente com o anúncio de que o polêmico milionário foi escolhido como responsável neste fim de semana pela mensagem semanal de rádio reservada ao Partido Republicano, como resposta à mensagem de rádio semanal do presidente Barack Obama.

Mesmo antes de liquidar os outros aspirantes nas primárias, Trump manteve uma relação problemática e difícil com os líderes republicanos, a ponto de vários deles afirmarem que não podiam se comprometer em votar nele na eleição presidencial.

Por isso, o fato de ter sido escolhido para responder a Obama mostrou como o partido decidiu se alinhar atrás de sua candidatura. Verdadeiros pesos-pesados que haviam negado apoio - como o ex-candidato Ted Cruz - já reviram sua posição e passaram a pedir votos para Trump.

Em sua mensagem de rádio semanal, Obama se concentrou no programa de saúde pública aprovado durante seu governo, conhecido no país simplesmente como "Obamacare". Trump, por sua vez, utilizou a oportunidade para pedir o voto dos republicanos.

"Estou pedindo seu voto e sua ajuda para eleger uma maioria republicana no Congresso, de forma que finalmente possamos mudar este sistema fracassado e tornar os Estados Unidos grandes de novo. E quando digo 'grandes', quero dizer 'grandes para todos'", afirmou.

Em sua mensagem no rádio, Trump disse que "isso não é apenas uma campanha: é um movimento. É uma oportunidade única de recuperar o governo que está nas mãos de doadores e dos interesses especiais, e devolvê-lo a vocês, os americanos".

- Votos na ferrugem -Hillary e Trump concentraram na sexta-feira suas campanhas no nordeste do país, na região que já foi o núcleo manufatureiro dos Estados Unidos e que agora é conhecida como "rustbelt", o "cinturão da ferrugem", pela evaporação dos postos de trabalho.

Historicamente esta região era um reduto democrata, mas pesquisas mostram uma tendência de conversão aos republicanos, em especial depois que Trump prometeu recuperar fábricas e postos de trabalho que foram para México ou China.

Hillary realizou um ato público em Cleveland, Ohio, um estado que Obama venceu em sua campanha presidencial de 2012, mas onde as últimas pesquisas mostram uma vantagem de Trump por uma média de cinco pontos percentuais.

Ela foi apresentada no palco pelo rapper Jay-Z e sua esposa, a estrela Beyoncé, que cantou várias músicas vestindo uma versão estilizada das roupas que são a marca registrada de Hillary.

Pouco antes, Hillary havia visitado Detroit, Michigan, onde denunciou que Trump transmitia uma "visão obscura" de um país afundado na pobreza e no fracasso.

"Quando meu adversário fala dos Estados Unidos, são um Estados Unidos que não reconheço", disse, destacando a agenda "otimista, inclusiva e cheia de confiança" de sua própria campanha.

Enquanto isso, Trump fez campanha em Hershey, Pensilvânia, e manteve a retórica agressiva não apenas contra Hillary, mas contra a classe política assentada em Washington.

"Quero que o establishment corrupto de Washington ouça as palavras que tenho a dizer: Vamos vencer no dia 8 de novembro e vamos drenar este pântano", afirmou diante de uma multidão de 13.000 pessoas.

Trump sugeriu que Hillary possivelmente será alvo de um processo penal ao fim da investigação que o FBI realiza pelo uso de um polêmico servidor privado de e-mails quando era secretária de Estado.

Os dois candidatos estarão neste sábado novamente na Flórida, um estado considerado fundamental e onde Hillary e Trump fazem uma campanha constante há uma semana.

Mas este fim de semana não será livre de novos escândalos. A agência Associated Press informou na sexta-feira que na década de 1990 a então modelo eslovena Melania - agora esposa de Trump - recebeu dinheiro por trabalhos de modelo antes de ter um visto para isso nos Estados Unidos.

Enquanto isso, o jornal Wall Street Journal alegou que o tabloide National Inquirer pagou para ter direitos exclusivos sobre o relato de uma ex-modelo da revista Playboy sobre seu romance com Trump em 2006, mas depois decidiu eliminar a história.

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