Voto latino nos EUA será recorde, mas alcance da influência é incerto

Nova York, 5 Nov 2016 (AFP) - Jackson Heights, no Queens, em Nova York, onde as ruas cheiram a "tortillas", coentro e carne assada, é um território hostil ao candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump.

Nunca tantos latinos - 27,3 milhões, 12% do total - estiveram habilitados para votar nos Estados Unidos, tendo, mais do que nunca, a capacidade para influir no resultado dessa crucial eleição de 8 de novembro.

A questão é se isso vai acontecer, já que, historicamente, seu comparecimento às urnas tem sido baixo.

Isso pode mudar, porém, no momento em que Trump promete deportar 11 milhões de imigrantes em situação ilegal e construir um muro na fronteira com o México - enviando a conta da obra para o país vizinho -, além de classificar os mexicanos como criminosos e estupradores.

"Temos alguns 'hombres' ruins", disse o republicano no terceiro e último debate presidencial com sua oponente, a democrata Hillary Clinton, provocando intensas reações nas redes sociais.

Uma pesquisa recente do Pew Research Center (PRC) indica que, enquanto 58% dos latinos dizem que votarão na democrata Hillary Clinton, 19% escolherão Trump, atraídos por seu perfil de empresário bem-sucedido.

"Este ano teremos um recorde de eleitores hispânicos. Há quatro milhões de novos eleitores. Mas... haverá um 'efeito Trump'? Vão mais às urnas votar contra o candidato? Ainda não sabemos", disse à AFP o diretor de Pesquisa sobre Hispânicos do PRC, Mark Hugo López.

Dos sete estados onde a corrida é apertada, três têm grande presença de latinos: Arizona (22%), Flórida (18%) e Nevada (17%). Mas 52% do total vive em estados que não são campo de batalha: os democratas Califórnia e Nova York e o republicano Texas.

"Não é muito provável que o voto latino seja decisivo", opinou López.

'Um foodtruck de tacos a cada esquina'O mexicano-americano Marco Gutiérrez, de 42 anos, fundador do grupo Latinos For Trump, ficou conhecido depois de declarar na televisão que, se não for construído um muro na fronteira - como promete Trump -, "haverá um caminhão de tacos a cada esquina" do país.

A declaração gerou indignação e levou a campanha de Trump a pedir que seu apoio não fosse oficial, contou Gutiérrez à AFP, em sua casa em Discovery Bay, na Califórnia.

"Um ponto de tacos em cada esquina? Pois tomara que tenha!", opinou o mexicano Delfino Sánchez, de 58, funcionário da Taquería Coatzingo de Jackson Heights.

Araceli Dacoepién Damián, uma mexicana de 23 anos que trabalha sozinha 12 horas por dia em um carrinho de tacos nas ruas desse mesmo bairro, afirma que "Trump não tem a menor ideia do que os mexicanos sofrem em seu país, sem trabalho, com salários miseráveis".

"Aqui trabalhamos 12, 14 horas para sobreviver, para manter a família que deixamos para trás", disse Araceli, que tem um filho pequeno.

Latinos pró-TrumpSegundo pesquisa do PRC, é mais provável que os eleitores latinos de Trump sejam homens, nascidos nos Estados Unidos, falem inglês, tenham algum tipo de educação superior e sejam evangélicos protestantes. Muitos celebram que o magnata prometa linha-dura com Cuba e Venezuela.

"Não sou racista (...) Que os imigrantes venham, mas legalmente. Apoio Trump por sua experiência de vida para ajudar a economia", explicou o polêmico fundador da Latinos For Trump que chegou de forma clandestina aos EUA e se tornou cidadão americano em 2003.

Denise Galvez, uma cubano-americano nascida em Miami que cofundou o grupo "Latinas for Trump", defende o republicano "porque não é um político, não é comprado".

"É um homem de negócios, e eles sabem mais do que os políticos usar o bom senso para tomar decisões difíceis", completou.

A cofundadora do grupo do Facebook "Cristãos latinos por Trump" Barbara Cueto garante que "há quase um racismo dos hispânicos contra Trump por ser branco".

"É o único candidato pró-vida. E não queremos fronteiras abertas. Antes de mais nada, somos americanos", disse essa hispânica de El Paso, no Texas.

O apoio a Trump entre os latinos "mostra que a comunidade hispânica é diversa", comentou López, do PRC.

"Nem todos são imigrantes e nem todos são mexicanos", acrescentou.

lbc-lm/val/tt

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