Depois de Mossul, cidade síria de Raqa é alvo de ofensiva contra EI

Ain Issa, Síria, 6 Nov 2016 (AFP) - A força curdo-árabe apoiada pelos Estados Unidos lançou neste domingo uma grande ofensiva para reconquistar Raqa, capital de fato do Estado Islâmico (EI) na Síria, aumentando a pressão sobre os extremistas, atacados também em seu reduto de Mossul, no Iraque.

Mossul e Raqa, separadas por 400 km, são as duas últimas grandes cidades ainda sob o controle do EI, que nos últimos meses perdeu grande parte dos territórios conquistados desde 2014 na Síria e no Iraque.

"Começou a grande batalha para a libertação de Raqa e sua província", anunciou Jihan Cheij Ahmad, uma porta-voz da ofensiva, na cidade de Ain Issa, a 50 km de Raqa, nas mãos do EI há dois anos e meio.

Washington, que dirige a coalizão internacional anti-extremista, confirmou o início das operações para isolar Raqa, passo anterior à sua libertação.

Mas o secretário de Defesa, Ashton Carter, advertiu em um comunicado que a batalha de Raqa não será fácil".

"Como em Mossul (onde o EI está sitiado pelas forças iraquianas), a batalha (em Raqa) não será fácil e o trabalho será duro, mas há que se por um fim à ficção do califado do EI e embaraçar a capacidade do grupo de realizar ataques terroristas contra os Estados Unidos, nossos aliados e nossos parceiros", escreveu Carter no comunicado.

"O próximo passo do plano de campanha da nossa coalizão será (...) isolar e finalmente liberar Raqa", ressaltou o secretário de Defesa americano.

A ofensiva, batizada de "Revolta do Eufrates", é realizada sob o comando das Forças Democráticas Sírias (FDS), aliança anti-EI dominada por combatentes curdos e que também inclui milicianos árabes.

O correspondente da AFP presente na coletiva de imprensa viu dezenas de combatentes armados a bordo de veículos se dirigindo à frente de batalha.

"Raqa será libertada graças aos seus filhos e às facções árabes, curdas e turcomanas, heróis que combatem sob a bandeira das Forças Democráticas Sírias (FDS), com a participação ativa das Unidades de Proteção Popular (YPG)" em "coordenação com a coalizão internacional" dirigida pelos Estados Unidos, disse o comunicado lido pela porta-voz.

Terrorismo e obscurantismoA ofensiva tem por objetivo libertar Raqa "das forças do terrorismo mundial e obscurantista representadas pelo Estado Islâmico que a tomou como sua suposta capital", indicou a porta-voz.

Em Raqa, onde os extremistas estão implantados entre a população, "a batalha não será fácil", advertiu Talal Sello, porta-voz das FDS. "O EI defenderá seu reduto porque sabe que a perda de Raqa significa seu fim na Síria", acrescentou.

A operação contra a "capital" síria do EI vai se desenvolver em "duas etapas: libertar a província de Raqa para isolar a cidade, e depois controlar a cidade", explicou o porta-voz.

Para isso, a coalizão liderada pelos Estados Unidos "fez uma primeira entrega de arsenal e material, como armas anti-tanque", disse Sello. Um total de "50 conselheiros e especialistas americanos estão presentes no centro de operações", segundo uma fonte do comando das FDS.

Elas são integradas por 30.000 combatentes, dois terços deles curdos e um terço árabes, segundo autoridades americanas.

Turquia, à margem?As FDS são consideradas aliadas por Washington em sua luta contra os extremistas do EI.

Mas esta aliança se complica pela feroz oposição dos turcos às FDS, que as consideram a vertente síria do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), que pega em armas desde 1984 contra o governo de Ancara.

Sello afirmou que as FDS acordaram com os Estados Unidos deixar a Turquia à margem da batalha para retomar Raqa. "Não haverá nenhum papel para a Turquia (...) na ofensiva" de Raqa, afirmou.

No entanto, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, havia afirmado recentemente que as operações militares realizadas por seu país no norte da Síria para expulsar da zona o EI, mas também os curdos, se estenderia até Raqa, a 100 km da fronteira turca.

Neste contexto, "o tema (da reconquista de Raqa) não está resolvido. Quem apoia quem? Quem faz o que? Nada disso está claro", segundo uma fonte de segurança francesa, país que participa da coalizão.

A Turquia, integrante da Otan, também quer desempenhar um papel na batalha de Mossul, que entrará na segunda-feira em sua quarta semana.

Neste domingo, o enviado americano da coalizão internacional anti-EI, Brett McGurk, disse em Amã que os Estados Unidos mantêm "estreito contato" com a Turquia para coordenar a ofensiva a Raqa.

"Estamos em estreito contato (...) com nossos aliados turcos, é por isso que o chefe do Estado-Maior Conjunto (Joseph Dunford) está hoje (domingo) em Ancara", declarou McGurk em uma coletiva de imprensa na capital jordaniana, Amã.

"Queremos que se coordene o máximo possível, reconhecendo que haverá uma mistura de forças no terreno e que muitas destas forças supostamente não estarão de acordo, mas compartilham um comum e ainda muito letal inimigo", disse, fazendo referência ao EI.

Resistência muito forteEm Mossul, as forças de elite iraquianas combatiam rua a rua os extremistas nos bairros do leste da cidade, onde "a resistência é muito forte", mas os extremistas "sofreram grandes perdas", explicou à AFP Abdelghani al Asadi, tenente-general do Comando Antiterrorista Iraquiano (CTS).

Estes combates levam um número crescente de civis a fugir, e as organizações humanitárias temem o deslocamento em massa de mais de um milhão de pessoas presas em Mossul.

Com 1,5 milhão de habitantes, Mossul - segunda cidade do Iraque - é muito mais importante que a cidade síria de Raqa, que tinha 240.000 habitantes em 2011, antes do início do conflito.

Finalmente, no Iraque ao menos 18 pessoas morreram e 23 ficaram feridas neste domingo em ataques suicidas em Tikrit e Samarra, duas cidades ao norte de Bagdá.

Já na Síria ao menos seis crianças morreram neste domingo em um bombardeio do regime contra uma creche na zona rebelde da cidade de Harasta, perto de Damasco.

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