Forças apoiadas pelos EUA lançam 'ofensiva sobre Raqa', reduto do EI na Síria

Ain Issa, Síria, 6 Nov 2016 (AFP) - A força curdo-árabe apoiada pelos Estados Unidos lançou neste domingo uma grande ofensiva que mobiliza 30.000 combatentes para reconquistar a cidade de Raqa, capital de fato do Estado Islâmico (EI) na Síria.

"Começou a grande batalha para a libertação de Raqa e sua província", anunciou Jihan Cheij Ahmad, uma porta-voz da ofensiva, na cidade de Ain Issa, a 50 km de Raqa, nas mãos do EI há dois anos e meio.

Uma autoridade americana, por sua vez, confirmou à AFP neste domingo em Washington que foi iniciada a primeira etapa da operação para isolar Raqa, passo anterior a sua libertação.

A ofensiva, batizada de "Revolta do Eufrates", mobiliza 30.000 homens e começou na noite de sábado, explicou a porta-voz Ahmad.

O correspondente da AFP presente na coletiva de imprensa viu dezenas de combatentes armados a bordo de veículos se dirigindo à frente de batalha.

"Raqa será libertada graças aos seus filhos e às facções árabes, curdas e turcomanas, heróis que combatem sob a bandeira das Forças Democráticas Sírias (FDS), com a participação ativa das Unidades de Proteção Popular (YPG)" em "coordenação com a coalizão internacional" dirigida pelos Estados Unidos, disse o comunicado lido pela porta-voz.

A ofensiva tem por objetivo libertar Raqa "das forças do terrorismo mundial e obscurantista representadas pelo Estado Islâmico que a tomou como sua suposta capital", indicou a porta-voz.

Este anúncio é feito três semanas depois do início da ofensiva contra Mossul, último grande reduto do Estado Islâmico no Iraque.

Mossul e Raqa são as últimas duas grandes cidades ainda sob o controle do EI, que nos últimos meses perdeu grande parte do território conquistado desde 2014 na Síria e no Iraque.

- Turquia à margem - As FDS anunciaram ter chegado a um acordo com os Estados Unidos para deixar a Turquia à margem da batalha para retomar Raqa, afirmou um porta-voz.

"As FDS entraram em acordo definitivamente com a coalizão internacional (dirigida pelos Estados Unidos) de que não haverá nenhum papel para a Turquia ou seus aliados da rebelião síria na ofensiva" de Raqa, afirmou à AFP Talal Sello, um porta-voz das FDS.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, havia garantido no dia 27 de outubro que as operações militares realizadas por seu país no norte da Síria se estenderiam até Raqa.

As FDS - 30.000 combatentes, dois terços curdos, um terço árabe, segundo autoridades americanas - são consideradas aliadas por Washington em sua luta contra os extremistas do EI.

Mas esta aliança se complica pela feroz oposição dos turcos às FDS, que as consideram a vertente síria do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), que pega em armas desde 1984 contra o governo de Ancara.

- Ofensiva em duas etapas -A operação contra o reduto do EI vai se desenvolver em "duas etapas: libertar a província de Raqa para isolar a cidade, e depois controlar a cidade", disse o porta-voz Sello em uma conversa telefônica com a AFP.

"A batalha não será fácil, precisaremos de operações precisas e prudentes: o EI defenderá seu reduto porque sabe que a perda de Raqa significa seu fim na Síria", advertiu.

O EI sofreu nos últimos meses uma série de derrotas ante as FDS e é alvo de crescentes pressões militares em várias frentes contra seu "califado" autoproclamado em 2014 entre Síria e Iraque.

As FDS já expulsaram o EI de vários redutos no norte da Síria, em especial de Minbej, centro chave pelo qual os extremistas promoviam a circulação de armas e homens.

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