General de esquerda lidera presidenciais na Bulgária, seguido por conservadora

Sófia, 6 Nov 2016 (AFP) - Diferentes pesquisas situavam neste domingo em segundo lugar a candidata apoiada pelo primeiro-ministro, Bokyo Borisov, em desvantagem ante seu adversário socialista no primeiro turno das eleições presidenciais na Bulgária.

Tsetska Tsacheva, presidente do Parlamento, de 58 anos, obteve 21,5% dos votos, segundo o instituto de pesquisas Alpha Research, e 22,3% segundo o instituto Gallup, ambos baseados na contagem de mais da metade dos votos.

A candidata governista aparece atrás do opositor socialista, Rumen Radev, ex-comandante da força aérea de 53 anos, que teria obtido entre 24,6% e 24,9%, segundo os mesmos institutos.

Horas antes, pesquisas de boca de urna já haviam dado percentuais similares para os dois candidatos. Os primeiros resultados oficiais serão conhecidos na segunda-feira.

As pesquisas antecipam um segundo turno muito disputado em 13 de novembro, em eleições consideradas um teste de metade do mandato para Borisov.

Borisov, de 57 anos, no poder desde 2014, chegou a dizer nos comícios que se Tsacheva não se elegesse no primeiro turno, convocaria eleições legislativas antecipadas.

Isto mergulharia o país mais pobre da União Europeia em uma nova tempestade política depois dos conflitos sociais registrados em 2013.

Uma vitória de Radev, que defende a suspensão das sanções europeias contra Moscou, poderia levar a Bulgária, agora membro da UE e da Otan, a se aproximar da Rússia.

Cerca de 6,8 milhões de eleitores desta democracia parlamentar foram convocados a escolher entre 21 candidatos - dois deles favoritos: Tsacheva, integrante do partido conservador governista GERB, e o general Radev, líder do Partido Socialista, que defende melhorias nas relações com a Rússia.

Na Bulgária, o presidente, eleito por cinco anos, desempenha sobretudo um papel protocolar, embora seja uma figura respeitada, à qual se pode recorrer em casos de crise.

"Voto pela estabilidade e pela segurança de uma nova Bulgária próspera", declarou neste domingo Tsacheva na cidade de Pleven (norte), situada em uma das regiões mais pobres da Europa.

A campanha presidencial ressaltou a luta contra a pobreza, a crise demográfica e o êxodo da população, em um país onde o salário médio é de 480 euros (pouco mais de R$ 1.700) por mês.

As três últimas pesquisas publicadas na sexta-feira davam vantagem a Tsacheva com entre 26% e 28% dos votos no primeiro turno, seguida de Radev, com entre 22% e 23%.

Uma derrota da candidata do partido do governo abriria uma brecha na supremacia do GERB, que controla o poder executivo.

A participação alcançou 20% ao meio-dia (08h de Brasília), mesmo percentual alcançado às 14h (10h de Brasília) nas presidenciais anteriores, em 2011, segundo o instituto de pesquisas Alpha Research.

Uma emenda recente na lei eleitoral introduziu "o voto obrigatório" - cujo descumprimento não resulta em nenhuma sanção grave - com o objetivo de mobilizar o eleitorado e evitar o peso do voto manipulado ou comprado, um problema endêmico.

A presidente do Parlamento centrou sua campanha na "estabilidade" conquistada pelo governo, enquanto Rendev assegurou encarnar "a mudança" frente à corrupção e à pobreza.

Os dois candidatos também se opuseram sobre sua relação com a Rússia, da qual a Bulgária depende quase por completo no âmbito energético.

Tsacheva prometeu "preservar a orientação europeia e euro-atlântica" da Bulgária, assim como o presidente em fim de mandato Rosen Asenov Plevleniev.

Ao contrário, Radev, apesar de ter se formado nos Estados Unidos, tem uma postura menos restrita a respeito de Moscou: "Uma melhoria necessária das relações com a Rússia não representa um retrocesso dos valores euro-atlânticos", considera o general, que se mostra favorável à suspensão das sanções europeias impostas à Rússia.

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