Primeiro-ministro sofre revés nas eleições presidenciais na Bulgária

Sófia, 7 Nov 2016 (AFP) - O primeiro-ministro conservador, Bokyo Borisov, sofreu um revés neste domingo no primeiro turno das eleições presidenciais na Bulgária, nas quais, segundo pesquisas, sua candidata ficou atrás do adversário socialista.

Na Bulgária, o presidente, eleito por cinco anos, desempenha sobretudo um papel protocolar, embora seja uma figura respeitada, à qual se pode recorrer em casos de crise, como aconteceu com o presidente Plevneliev durante os distúrbios de 2013.

Premiê desde o fim de 2014, Borisov reagiu ao resultado pondo seu cargo em jogo: "Se perdermos o segundo turno, vamos ter eleições antecipadas", afirmou, embora tenha assegurado que ainda há "chance de ganhar" no segundo turno, em 13 de novembro.

Sua candidata, Tsetska Tsacheva, presidente do Parlamento, de 58 anos, obteve 21,5% dos votos, segundo o instituto de pesquisas Alpha Research, e 22,3% segundo o instituto Gallup, ambos baseados na contagem de mais da metade dos votos.

Ela ficou, assim, atrás do opositor socialista, Rumen Radev, ex-comandante da força aérea de 53 anos, que teria obtido entre 24,6% e 24,9%, segundo os mesmos institutos.

Horas antes, pesquisas de boca de urna já haviam dado percentuais similares para os dois candidatos. Os primeiros resultados oficiais serão conhecidos na segunda-feira em eleições consideradas um teste de metade do mandato para o premiê.

Antes das eleições, Borisov tinha ameaçado se demitir caso sua candidata não terminasse em primeiro no primeiro turno.

Por isso, os observadores consideram provável que se realizem legislativas antecipadas, um novo fator de incerteza para o país mais pobre da União Europeia, que viveu distúrbios importantes há três anos.

Além disso, a vitória de Radev, que defende a suspensão das sanções europeias contra Moscou, poderia levar a Bulgária, agora membro da UE e da Otan, a se aproximar da Rússia.

Tsacheva prometeu "preservar a orientação europeia e euro-atlântica" da Bulgária, assim como o presidente em fim de mandato Rosen Asenov Plevleniev.

Ao contrário, Radev, apesar de ter se formado nos Estados Unidos, tem uma postura menos restrita a respeito de Moscou: "Uma melhoria necessária das relações com a Rússia não representa um retrocesso dos valores euro-atlânticos", considera o general, que se mostra favorável à suspensão das sanções europeias impostas à Rússia.

O setor energético na Bulgária depende em grande parte da Rússia.

Eleitores decepcionadosO atual mandato de Borisov, primeiro-ministro com um governo minoritário, termina no começo de 2018.

Seu primeiro mandato como chefe do Executivo terminou de forma abrupta em 2013 com a sua demissão, depois que o país viveu uma onda de protestos contra a corrupção e a pobreza durante as quais houve pessoas que atearam fogo ao próprio corpo.

Desde então, o país recuperou certa estabilidade, mas os eleitores poderiam expressar novamente sua exasperação pela lentidão das reformas. Os analistas também apontam a falta de carisma de Tsatcheva.

"Meus filhos tiveram que emigrar", assim como muitos no meu país, disse à AFP Stefka Petrova, eleitora de 74 anos, da região de Pleven. O salário médio na Bulgária é de 480 euros (pouco mais de R$ 1.700).

"Vamos ter eleições antecipadas", previa neste domingo o cientista político Andrey Raitchev, enquanto Parvan Simeonov, analista do instituto Gallup, destacou um resultado "histórico" pelo fato de que o Gerb, partido do primeiro-ministro Borisov, nunca tinha perdido até agora.

Roumen Radev não pediu a demissão do primeiro-ministro, segundo ele, porque "reforçaria o sentimento de insegurança".

Estas eleições são as primeiras em que se aplica o novo regime de "voto obrigatório" que, embora não imponha sanções, tenta mobilizar o eleitorado para evitar votos manipulados ou comprados, um fenômeno recorrente no país.

Este voto obrigatório pode ter favorecido o candidato socialista porque nas pequenas cidades que tradicionalmente votam os socialistas "as pessoas votaram em massa por medo de sanções inexistentes", explica à AFP Antoniy Galabov, professor de ciências políticas da Nova Universidade búlgara.

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