Maioria do marfim ilegal vem de elefantes mortos recentemente

Miami, 7 Nov 2016 (AFP) - Mais de 90% do marfim ilegal provém de elefantes abatidos para a retirada de suas presas nos últimos três anos, e não de antigos estoques governamentais, segundo um novo estudo publicado na segunda-feira.

A descoberta, feita por pesquisadores da Universidade de Columbia e publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), se baseou em uma análise de 231 presas apreendidas em nove países diferentes entre 2002 e 2014.

"Isso mostra que o marfim está se movendo rapidamente pelo sistema", disse o coautor do estudo Kevin Uno, geoquímico do Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia.

"Alguns dos elefantes foram mortos pouco antes das suas presas serem jogadas no contêiner", acrescentou.

Os pesquisadores analisaram resquícios do isótopo radioativo carbono-14 de testes de bombas nucleares feitos ao ar livre nos anos 1950 e 1960 para ajudar a datar das presas.

Mais de 90% das amostras eram de elefantes mortos nos últimos anos, muitos deles nos últimos meses, disseram os pesquisadores.

"Este estudo mostra que uma vez caçados, os elefantes estão sendo movidos rapidamente para o comércio", disse Elizabeth Bennett, vice-presidente para a conservação de espécies na Wildlife Conservation Society.

"O marfim ilegal não está vindo de antigos estoques, e mostra que só precisamos encerrar os mercados e a demanda", acrescenta.

O comércio internacional de marfim de elefantes mortos depois de 1989 foi proibido há muito tempo.

Mas alguns países mantém mercados internos legais.

Enquanto isso, o tráfico ilícito está prosperando, com o marfim sendo vendido por cerca de US$ 1.000 por libra no mercado negro da China.

Entre 2007 e 2014, os caçadores mataram 144.000 elefantes na África, quase 30% dos elefantes de savana do continente, de acordo com um censo recente.

Acredita-se que restam cerca de 350.000 elefantes africanos em 18 países subsaarianos. Eles são considerados uma espécie "vulnerável" na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

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