América Latina celebra com cautela vitória de Trump

Montevidéu, 10 Nov 2016 (AFP) - Presidentes e líderes da América Latina felicitaram Donald Trump, nesta quarta-feira (9), por sua surpreendente vitória na eleição americana, mas preferiram manter cautela, porém, diante de uma campanha marcada pela promessa de duras políticas contra os imigrantes, assim como pelas constantes ofensas, sobretudo aos mexicanos.

- MéxicoO presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, foi um dos primeiros líderes da América Latina a enviar suas felicitações a Trump, muito criticado no México por seu discurso contra os imigrantes em situação ilegal e por chamar os mexicanos de "estupradores".

"Felicito os Estados Unidos por seu processo eleitoral e reitero a @realDonaldTrump a disposição de trabalharmos juntos a favor da relação bilateral", tuitou.

"México e Estados Unidos são amigos, sócios e aliados que devem continuar colaborando pela competitividade e pelo desenvolvimento da América do Norte", acrescentou.

- BrasilO presidente Michel Temer foi o primeiro na região a reagir, mas com certa cautela diplomática.

"Não muda nada na relação do Brasil com os Estados Unidos", disse Temer, em entrevista a uma rádio brasileira.

Além disso, mostrou-se confiante em que Trump "terá de levar em conta as aspirações de todo o povo americano".

- VenezuelaO governo venezuelano felicitou Trump pela vitória e pediu que se respeite os princípios" de "igualdade soberana" e "autodeterminação" promovidos pela ONU. Pediu ainda que se estabeleça "novos paradigmas" entre Estados Unidos e América Latina baseados na "não intervenção nos assuntos internos".

Em contrapartida, o líder opositor e duas vezes candidato à presidência, Henrique Capriles, expressou seu respeito à "decisão do povo norte-americano" e defendeu seus compatriotas emigrados: "não queremos que expulsem nossos irmãos venezuelanos que estão lá trabalhando".

Já Lilian Tintori, mulher do político preso Leopoldo López, disse esperar que, depois dessas eleições, o governo americano continue apoiando "todo o povo venezuelano" na defesa dos direitos humanos.

- Argentina"Felicito @realDonaldTrump em sua vitória e espero que possamos trabalhar juntos pelo bem dos nossos povos", tuitou o presidente de centro-direita, Mauricio Macri.

- Uruguai"Qualquer que tenha sido o resultado, há um impacto para todo o mundo", disse o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, em uma entrevista pela televisão.

"O povo norte-americano resolveu e, como cabe, é preciso respeitar a decisão soberana do povo", acrescentou.

Seu antecessor José "Pepe" Mujica foi bem mais expressivo: "Vou lhe dizer apenas uma palavra que diz tudo, de modo que, grave-a bem: socorro!".

"É suficiente. É explícita (...) Tchau", disse ele a uma rádio local.

- ColômbiaEmbora tenha apoiado a candidatura de Hillary Clinton - porque "oferece mais garantias" para a paz de seu país -, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, manifestou seu desejo de continuar com as privilegiadas relações de ambos os países.

"Celebramos espírito democrático dos EUA na #ElectionNight. Com @realDonaldTrump continuaremos aprofundando a relação bilateral", escreveu em sua conta no Twitter.

- BolíviaO presidente da Bolívia, Evo Morales, um áspero crítico do "imperialismo americano", pouco ou nada disse sobre Trump nessas eleições, mas, hoje, decidiu tuitar: "saudar a vitória de @realDonaldTrump. Esperamos trabalhar contra o racismo, machismo, a anti-imigração, pela soberania dos nossos povos".

- CubaDepois de conseguir uma histórica reconciliação diplomática com os Estados Unidos, em 2015, no governo de Barack Obama, o presidente cubano, Raul Castro, enviou uma curta "mensagem de felicitação" a Donald Trump por sua eleição.

O governo em Havana também anunciou, porém, que fará manobras militares entre 16 e 18 de novembro, o "Exercício Estratégico Bastião 2016", que mobiliza as tropas cubanas frente a uma hipotética invasão por parte dos Estados Unidos.

- NicaráguaO presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, saudou a vitória de Donald Trump e manifestou sua disposição de trabalhar em uma agenda que privilegie o diálogo e a paz no mundo.

"Saudamos sua vitória de ontem" e "nos somamos aos que acreditam que seja possível trabalhar com os Estados Unidos, para contribuir para um mundo que privilegie diálogo e entendimento", declarou Ortega em um breve comunicado a Trump.

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