Hillary e Trump em disputada batalha eleitoral

Nova York, 9 Nov 2016 (AFP) - A democrata Hillary Clinton e seu adversário, o outsider republicano Donald Trump, disputam cabeça a cabeça a corrida pela Casa Branca, após a divulgação dos primeiros resultados, e de olho na Flórida, onde a vitória é crucial.

Hillary, que acalenta o sonho de se tornar a primeira mulher presidente dos Estados Unidos aos 69 anos e o bilionário Trump, de 70, finalizam nesta terça-feira uma disputada campanha de quase dois anos marcada por ofensas e ataques pessoais.

Com a apuração finalizada em um punhado de estados, já que outros do oeste continuam votando, as emissoras de televisão anunciaram que Trump venceu em Indiana, Kentucky e Virgínia ocidental, enquanto a experiente Hillary ganhou em Vermont.

Estes resultados não foram uma surpresa. Todos aguardam o fim das apurações em estados cruciais com a Flórida e a Pensilvânia. O vencedor não será conhecido antes das 01h00 de quarta-feira (horário de Brasília).

Pela primeira vez na história, o voto latino, que bate recordes a cada quatro anos devido ao crescimento desta população no país, pode ser decisivo e ajudar Hillary a chegar à Casa Branca.

O medo de uma vitória de Trump, que afirmou que os mexicanos são "estupradores" e "narcotraficantes", e que se for eleito construirá um muro nos 3.200 km da fronteira com o México e deportará os 11 milhões de imigrantes em situação ilegal no país, mobilizou os hispânicos, a minoria mais representativa nos Estados Unidos.

A maioria dos latinos vota em Hillary, mas tradicionalmente vão pouco às urnas.

Na Flórida, que Trump precisa para vencer e onde Hillary ganhou terreno graças ao voto dos porto-riquenhos, os candidatos disputavam cabeça a cabeça: com 91% das urnas apuradas, Trump liderava com 49,1% dos votos contra 47,8% para a adversária.

"Fazendo história""Estamos fazendo história, as pessoas estão saindo para votar", disse em Miami o porta-riquenho Jimmy Torres, coordenador da ONG Boricua Vota. "É emocionante que nos deem esse papel. Nós podemos virar o jogo para um lado ou para o outro".

O próprio Trump deixou entrever seu desespero e no Twitter pediu o voto na Flórida.

"Não se deem por vencidos, continuem saindo para votar; essa eleição está LONGE DE TER TERMINADO! Estamos indo bem, mas temos tempo de sobra. VAMOS FLÓRIDA!", tuitou o candidato republicano.

No bairro latino de East Los Angeles, para o mexicano americano Margarito Salinas, de 88 anos, a opção era fácil.

"Esse cara é quase um nazista", disse Salinas sobre Trump. "Dei meu voto para 'La Señora'".

Em Corona, Queens, o coração hispânico de Nova York, a mexicano-americana Rosa Hernández, de 34 anos, conta que votou em "La Hillary" porque "ela tem a cabeça um pouquinho mais ordenada que Trump, que é muito racista, está cheio de ódio contra os mexicanos e as mulheres".

Uma alegre Hillary votou cedo, pouco depois das 08H00 locais em uma escola perto de sua casa em Chappaqua, no estado de Nova York.

"Espero ser lembrada como alguém que começou a ajudar a curar nosso país, a superar a divisão", disse Hillary à rádio WOKQ.

Donald Trump votou em uma escola perto da Trump Tower, em Manhattan, sob vaias de simpatizantes da sua rival, que gritavam "Nova York te odeia!".

Com o semblante sério, o republicano votou na cabine ao lado de sua esposa, Melania. "Foi uma escolha difícil", brincou depois.

A votação foi pacífica, mas ao final do dia, um tiroteio que deixou um morto e três feridos em um bairro residencial de Azusa (40 km ao leste de Los Angeles) provocou o fechamento antecipado de duas seções eleitorais próximas.

FartosDepois de 693 dias - 23 meses - de drama, insultos, escândalos e mais escândalos, a campanha deixou uma população exausta: 82% dos americanos se declararam irritados em uma pesquisa recente.

Os dois candidatos não poderiam ser mais diferentes: de um lado Hillary Clinton, figura política há 25 anos, odiada por metade dos americanos, que duvida de sua honestidade. Esposa do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001), foi primeira-dama, senadora e depois secretária de Estado de Obama.

Menos querido ainda, Donald Trump, bilionário e ex-estrela de televisão, nunca foi eleito, mas soube interpretar como ninguém - e contra todos os prognósticos - os temores de uma classe média branca frustrada em um mundo em transformação.

Anti-imigrante e sexista, impulsivo e corrosivo, denunciado por várias mulheres que disseram ter sido abusadas por ele, marcou para sempre um estilo de fazer campanha política. A cúpula do partido Republicano praticamente lhe deu as costas.

A candidatura de Trump causou pânico nos mercados mundiais, mas Wall Street fechou com uma leve alta de 0,4% diante da expectativa de vitória de Hillary Clinton.

O vencedor precisa chegar ao número mágico de 270 votos no Colégio Eleitoral, surgidos de 51 mini escrutínios em cada estado e na capital, Washington.

Além do presidente, os eleitores elegem nesta terça uma nova Câmara de Representantes e os ocupantes de 34 das 100 cadeiras do Senado. Os democratas tentam conquistar a maioria do Senado, enquanto a Câmara deverá permanecer, salvo em caso de grande surpresa, nas mãos dos republicanos.

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