Mike Pence, o fator de equilíbrio para Donald Trump

Washington, 9 Nov 2016 (AFP) - O vice-presidente eleito dos Estados Unidos, o conservador Mike Pence, terá no governo a mesma tarefa que desempenhou na campanha de Donald Trump, a de utilizar sua experiência e calma para estabelecer alianças políticas.

Governador do estado de Indiana (norte) desde janeiro de 2013, Pence se descreve como "um cristão, um conservador e um republicano, nesta ordem".

Aos 57 anos, deu à campanha de Trump um prumo e uma maturidade que rapidamente contrastaram com o explosivo candidato presidencial e que ajudaram a construir uma ponte com a direção do Partido Republicano.

Quando a equipe de campanha de Trump anunciou seu nome como companheiro de chapa, a aspirante democrata Hillary Clinton comentou que se tratava da "opção mais extrema desta geração", por considerar que Pence é um homem "profundamente divisivo".

Advogado, atuou durante anos como apresentador de programas de rádio graças a sua voz grave e pausada, sem nunca elevar o tom.

Foi membro da Câmara de Representantes entre 2001 e 2013 e também presidente da Conferência Republicana entre 2009 e 2011.

Religioso fervoroso, Pence não esconde seu apego ao que considera os valores tradicionais da família e sua hostilidade ao aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo ou à chegada de refugiados sírios em Indiana.

O atual presidente da Câmara de Representantes, Paul Ryan, que praticamente rompeu relações com Trump, considera Pence "um amigo muito bom".

No início da campanha, o futuro vice-presidente formava parte de um trio de favoritos para acompanhar Trump na chapa presidencial, junto ao governador de Nova Jersey, Chris Christie, e ao ex-presidente da Câmara de Representantes, Newt Gingrich.

A influência dos filhos de Trump, no entanto, terminou por favorecer Pence.

No início da campanha, Pence não escondeu sua simpatia pela candidatura do senador ultraconservador Ted Cruz.

Mas, mesmo depois de ter sido escolhido como companheiro de chapa, nunca se esquivou de expressar suas divergências com Trump.

Pence havia considerado "insultante e inconstitucional" uma proposta lançada por Trump em um debate para vetar a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos como ferramenta para enfrentar o terrorismo.

Mais tarde, no meio de um escândalo com a divulgação de uma gravação de Trump fazendo comentários sexistas, Pence disse que não podia defender o polêmico candidato por isso.

Pence e Trump não são particularmente próximos, mas Pence representa uma ponte fundamental com os eleitores evangélicos e com os líderes do Partido Republicano.

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