Trump e Hillary disputam eleição dramática

Nova York, 9 Nov 2016 (AFP) - Hillary Clinton e Donald Trump disputavam uma eleição dramática na madrugada desta quarta-feira, com o republicano liderando após vencer em estados-chave, provocando pânico nos mercados financeiros do planeta.

A maré começou a virar a favor de Trump após as vitórias nos estados-chave de Flórida, Carolina do Norte, Ohio e Iowa.

A democrata Hillary, 69 anos, e o republicano Trump, 70, protagonizaram uma disputada e agressiva campanha de quase dois anos, marcada por ofensas e ataques pessoais.

De acordo com projeções das TVs, Trump já teria 244 votos garantidos no Colégio Eleitoral, contra 215 para Hillary Clinton. Vence quem conquistar 270 delegados.

A atenção está voltada agora para os estados de Pensilvania, Michigan e Wisconsin, onde Hillary aposta tudo, após vencer em Nevada.

Os resultados favoráveis a Trump derrubaram os mercados nos Estados Unidos e na Ásia. Em Nova York, o índice S&P 500 perdia 5,01% às 05H10 GMT (03H10 Brasília) e o tecnológico Nasdaq recuava 5,08%.

A Bolsa de Londres recuava 4,44% no mercado a termo, horas antes da abertura do pregão, acompanhando a tendência geral.

Em Tóquio, a Bolsa de Valores, que iniciou o pregão em alta moderada, perdia quase 5% no princípio da tarde, influenciado pela alta possibilidade de vitória de Trump.

O índice Nikkei 225 recuava 4,87% ou 836,69 pontos, a 16.334,69 unidades, minutos após o início do segundo período de pregão.

Hong Kong perdia 2,3%, Xangai, 0,7%, Sydney, 2,4%, Seul, 2,8%, Cingapura, 1,4%, e Mumbai, 6%.

O ministério japonês das Finanças, a Agência de Serviços Financeiros e o Banco do Japão (BoJ) farão uma reunião de emergência esta tarde para analisar a situação dos mercados diante da perspectiva da vitória de Trump.

O iene e o euro dispararam diante do dólar no final da manhã em Tóquio, com a moeda americana valendo 101,46 ienes, contra 105,47 antes dos resultados favoráveis ao republicano. O euro era cotado a 1,1222 dólar, contra 1,0989 dólar.

O peso mexicano, moeda barômetro da opinião dos mercados nas últimas semanas, era cotado por volta das 03H00 GMT (01H00 Brasília) a 20,3195 pesos por dólar, contra 18,1634 pesos um pouco antes.

O medo de uma vitória de Trump, que afirmou que os mexicanos são "estupradores" e "narcotraficantes", e que se for eleito construirá um muro nos 3.200 km da fronteira com o México e deportará os 11 milhões de imigrantes em situação ilegal no país, mobilizou os hispânicos, a minoria mais representativa nos Estados Unidos.

A maioria dos latinos vota em Hillary, mas tradicionalmente vão pouco às urnas.

"Fazendo história""Estamos fazendo história, as pessoas estão saindo para votar", disse em Miami o porta-riquenho Jimmy Torres, coordenador da ONG Boricua Vota. "É emocionante que nos deem esse papel. Nós podemos virar o jogo para um lado ou para o outro".

Mas Trump apostou e ganhou no Estado. "Não se deem por vencidos, continuem saindo para votar; essa eleição está LONGE DE TER TERMINADO! Estamos indo bem, mas temos tempo de sobra. VAMOS FLÓRIDA!", tuitou o republicano.

Uma alegre Hillary votou cedo, pouco depois das 08H00 locais em uma escola perto de sua casa em Chappaqua, no estado de Nova York.

"Espero ser lembrada como alguém que começou a ajudar a curar nosso país, a superar a divisão", disse Hillary à rádio WOKQ.

Donald Trump votou em uma escola perto da Trump Tower, em Manhattan, sob vaias de simpatizantes da sua rival, que gritavam "Nova York te odeia!".

Com o semblante sério, o republicano votou na cabine ao lado de sua esposa, Melania. "Foi uma escolha difícil", brincou depois.

A votação foi pacífica, mas ao final do dia, um tiroteio que deixou um morto e três feridos em um bairro residencial de Azusa (40 km ao leste de Los Angeles) provocou o fechamento antecipado de duas seções eleitorais próximas.

FartosDepois de 693 dias - 23 meses - de drama, insultos, escândalos e mais escândalos, a campanha deixou uma população exausta: 82% dos americanos se declararam irritados em uma pesquisa recente.

Os dois candidatos não poderiam ser mais diferentes: de um lado Hillary Clinton, figura política há 25 anos, odiada por metade dos americanos, que duvida de sua honestidade. Esposa do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001), foi primeira-dama, senadora e depois secretária de Estado de Obama.

Menos querido ainda, Donald Trump, bilionário e ex-estrela de televisão, nunca foi eleito, mas soube interpretar como ninguém - e contra todos os prognósticos - os temores de uma classe média branca frustrada em um mundo em transformação.

Anti-imigrante e sexista, impulsivo e corrosivo, denunciado por várias mulheres que disseram ter sido abusadas por ele, marcou para sempre um estilo de fazer campanha política. A cúpula do partido Republicano praticamente lhe deu as costas.

O vencedor precisa chegar ao número mágico de 270 votos no Colégio Eleitoral, surgidos de 51 mini escrutínios em cada estado e na capital, Washington.

Além do presidente, os eleitores elegem nesta terça uma nova Câmara de Representantes e os ocupantes de 34 das 100 cadeiras do Senado. Os democratas tentam conquistar a maioria do Senado, enquanto a Câmara deverá permanecer, salvo em caso de grande surpresa, nas mãos dos republicanos.

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