Voto latino recorde nos EUA não consegue salvar Hillary

Nova York, 10 Nov 2016 (AFP) - Os latinos eram a arma secreta dos democratas para ganhar a eleição, e um número recorde foi às urnas, mas isso não foi suficiente para impedir que o republicano Donald Trump conquistasse a Casa Branca.

Primeiramente, menos latinos e negros - tradicionalmente democratas - votaram em Hillary Clinton do em 2012, quando foram às urnas para eleger Barack Obama, o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos.

E, embora o voto latino tenha crescido, isso foi amenizado pela alta de eleitores brancos não hispânicos e menos educados que apoiaram Trump em todo o país.

O voto latino "foi, sem dúvida recorde, mas os números definitivos serão conhecidos apenas em abril, ou maio", disse à AFP o diretor de Pesquisa sobre hispânicos do Pew Research Center (PRC), Mark Hugo López.

Cerca de 27,3 milhões de latinos estavam registrados para votar, mas López calcula que pouco mais de 13 milhões votaram, menos da metade.

'Hillary não é Obama'Pelo menos 65% dos eleitores que se declaram hispânicos apoiaram Hillary, enquanto 29% votaram em Trump, que já prometeu deportar os 11 milhões de imigrantes em situação ilegal no país, construir um muro na fronteira com o México e que considera o tratado de livre-comércio com seu vizinho do sul um "desastre".

Na eleição de 2012, Obama obteve 72% dos votos entre os latinos depois de liderar uma campanha de entusiasmo e de sonhos de mudança, enquanto seu rival Mitt Romney teve 27%.

"Hillary Clinton não é Barack Obama. São candidatos diferentes. E o eleitorado hispânico é conservador. Os cubanos são, em geral, republicanos, há muitos contra o aborto", explicou López.

"Em geral, os eleitores hispânicos de Trump são cubano-americanos, têm renda mais alta, vivem na Flórida, no Texas, ou no Arizona, e têm uma melhor educação do que o restante dos hispânicos....".

Os democratas tinham a esperança de que o voto latino fosse decisivo pela primeira vez na história dos Estados Unidos e ajudasse a ex-secretária de Estado a conquistar estados como Flórida e Arizona - e ela perdeu em ambos.

Na Flórida, Hillary "contava com uma maior participação dos eleitores latinos e negros do que houve, e isso a prejudicou", disse à AFP o professor associado de Ciência Política, Gregory Koger, da Universidade de Miami.

Em contrapartida, "a participação dos eleitores brancos, que votaram em Trump, foi maior do que a esperada", prosseguiu.

"Trump apontou para os eleitores rurais e de pequenas cidades, e eles responderam em massa", completou.

Hillary não conseguiu entusiasmar os cubanos conservadores, que são os que mais comparecem às urnas, para os quais Trump prometeu manter o embargo à Ilha. Já os cubanos mais jovens - ou recém-chegados aos EUA - são democratas, em geral, ou se abstêm de votar.

Segundo pesquisas de boca de urna da Latino Decision, 52% dos cubano-americanos votaram em Trump na Flórida, contra 47% em Hillary.

Para Daniel A. Smith, da Universidade da Flórida, a democrata perdeu o estado, sobretudo, porque "fracassou em convencer as mulheres brancas e educadas" de classe média e média alta.

"Essas mulheres brancas, independentes, inclusive republicanas moderadas, não gostavam de Donald Trump, necessariamente, mas gostavam menos de Hillary", explicou Smith.

López avalia que houve um "efeito Trump" em todo o país: mais latinos foram votar especificamente no republicano, enquanto o público-alvo de seus comentários anti-imigrantes - aqueles em situação ilegal - não têm voz.

Apesar disso, "o voto latino cresceu e continua tendo um papel importante em qualquer campanha. Isso continuará por pelo menos mais 20 anos", disse.

Não é possível falar dos latinos como uma única comunidade. Nos EUA, trata-se de uma comunidade muito diversa, o que se reflete em suas opiniões políticas.

"Não são todos imigrantes, não são todos mexicanos", lembrou López. Do mesmo modo, latinos de primeira, de segunda, ou de terceira geração nem sempre pensam igual.

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