Bombardeio da coalizão liderada pelos EUA mata 20 civis na Síria

Beirute, 10 Nov 2016 (AFP) - As forças apoiadas pelos Estados Unidos intensificaram nesta quarta-feira suas ofensivas nos redutos do grupo Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria, país onde um bombardeio da coalizão anti-extremista matou 20 civis.

No Iraque, soldados avançaram rumo a Mossul, último reduto do EI no país, enquanto na Síria, as tropas curdo-árabes das Forças Democráticas Sírias (FDS) prosseguem sua ofensiva rumo a Raqa, a capital de fato dos extremistas.

A ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) comunicou que um bombardeio da coalizão atingiu o povoado de Al Heisha, no poder do EI, 40 km ao norte de Raqa. Seu diretor, Rami Abdul Rahman, informou que o ataque deixou 20 civis mortos, entre eles duas crianças, e 32 feridos.

As FDS, apoiadas por Washington durante sua ofensiva em Raqa, negaram as perdas civis.

"Isto não aconteceu e muitas destas denúncias são notícias do EI", disse uma de suas porta-vozes, Jihan Sheij Ahmed, à AFP.

Segundo esta aliança, o ataque em Al Heisha matou pelo menos seis combatentes dos extremistas, aos quais acusou de reter civis para usá-los como "escudos humanos".

O coronel John Dorrian, um porta-voz da coalizão liderada pelos Estados Unidos, confirmou que foram realizados bombardeios na região de Al Heisha.

"No entanto, é necessária mais informação específica para determinar de forma conclusiva a responsabilidade" das perdas civis, acrescentou.

'Deixamos tudo para trás'"Os combatentes do Daesh (acrônimo em árabe para EI) trouxeram armas pesadas ao nosso povo e ficaram entre nós para que os possíveis bombardeios nos atingissem", afirmou Saada al Abud, um homem de 45 anos que fugiu de Al Heisha.

"Não nos queriam deixar ir. Tivemos que fugir correndo pelo campo, com nossos filhos e nossos velhos. O que mais podíamos fazer? Deixamos tudo para trás", acrescentou.

Segundo o OSDH, o balanço de civis mortos desde setembro de 2014 na Síria pelos bombardeios da coalizão internacional é de 680, entre eles 169 crianças.

O departamento americano de Defesa divulgou um boletim nesta quarta-feira no qual reconhece que os bombardeios americanos no Iraque e na Síria contra o Estado Islâmico mataram 119 civis desde seu início.

Washington reconhece vítimas civis como consequência de seus bombardeios somente depois de investigações geralmente bastante longas.

Os Estados Unidos são acusados, assim como outros membros da coalizão que lidera, de subestimar o número de vítimas civis de seus bombardeios.

Em outras regiões da Síria, disparos rebeldes mataram oito civis, vários deles estudantes, nos bairros pró-governamentais de Aleppo (norte), segundo o OSDH. Além disso, em um povoado da província de Idleb (noroeste), controlado pelos rebeldes, oito pessoas morreram, entre eles cinco crianças, em bombardeios.

As FDS lançaram sua ofensiva para Raqa no sábado, três semanas depois que as forças iraquianas lançaram seu ataque a Mossul.

As duas cidades são os dois últimos bastiões do EI no Iraque e na Síria, depois que os extremistas perderam grande parte dos territórios que tinham conquistado nos dois países, desde meados de 2014.

A coalizão anti-extremista, que começou sua campanha aérea contra o EI em 2014, espera que a retomada de Mossul e Raqa acerte um golpe definitivo no grupo extremista.

As tropas curdo-árabes avançaram para o sul de zonas próximas da fronteira turca, conquistando vários povoados em sua passagem, até chegar a 35 km de Raqa.

No Iraque, um oficial anunciou na terça-feira a retomada de uma das últimas posições do EI ao leste de Mossul, a cidade de Bashiqa, onde ainda permaneciam alguns combatentes extremistas.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al Abadi, disse esperar que o novo presidente eleito dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, continuará apoiando seu país na "luta contra o terrorismo".

Quase 42.000 deslocadosEm 17 de outubro, os peshmergas curdos e o exército iraquiano avançaram sobre Mossul desde o norte, no leste e no sul, e na última semana tentaram assumir o controle de seus bairros orientais.

Estima-se que haja mais de um milhão de civis presos em Mossul e a Organização para as Migrações (OIM) indicou nesta quarta-feira que perto de 42.000 pessoas abandonaram suas casas na cidade iraquiana.

Em Raqa, que tinha uma população de quase 240.000 habitantes antes da guerra síria, fugiram 80.000 pessoas desde 2012.

Os civis que fugiram destes redutos extremistas contaram algumas das atrocidades cometidas pelo EI, como os apedrejamentos, as decapitações e o comércio de escravas sexuais.

Após a tomada de Hamam al Alil esta semana, as forças iraquianas anunciaram a descoberta de cem corpos decapitados em uma vala comum.

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