Sobreviventes de atentados de Paris e seu longo caminho pela recuperação

Paris, 11 Nov 2016 (AFP) - Um ano depois dos atentados de Paris, os sobreviventes e os familiares das vítimas lutam todos os dias para combater a dor, o medo e o ódio.

Três comandos extremistas mataram na noite de 13 de novembro de 2015 130 pessoas. Mais de 400 pessoas ficaram feridas, 20 das quais seguem hospitalizadas, enquanto outras 600 seguem recebendo ajuda psicológica. Sem esquecer aquelas que perderam um filho, um marido, uma irmã ou pai.

A seguir, alguns trechos de suas histórias, um ano depois.

- "Vontade de sair correndo" -"Há dias em que tenho medo, dias em que tenho vontade de sair correndo ou de quebrar tudo". Mas "tento controlar minhas emoções".

A esposa de Antoine Leiris morreu na sala de espetáculos Bataclan, deixando-o sozinho com um filho de 17 meses. "Não terão meu ódio", escreveu este viúvo em uma carta no Facebook que deu a volta ao mundo.

Atualmente, este homem de 35 anos estima que estas palavras "já não pertencem a ele", mas que cabe a cada pessoa "mantê-las vivas".

Depois dos atentados, Leiris se fechou em si mesmo e em seu filho. "O mundo havia nos ferido". Mas, "depois deste primeiro reflexo", precisou começar a se abrir novamente aos demais: "não queríamos permanecer para sempre isolados", contou à AFP.

Leiris, jornalista, publicou neste ano um livro no qual relata os doze dias posteriores ao atentado no qual perdeu sua esposa Hélène, desde o momento em que os meios de comunicação começaram a falar de uma tomada de reféns até a ocasião em que precisou explicar ao filho que sua mãe não voltaria nunca mais.

- "Permaneci seis meses em casa" - Estelle Arzal saiu ilesa do bar La Bonne Bière, onde cinco pessoas morreram no dia 13 de novembro sob as balas dos extremistas. Embora esteja bem fisicamente, sua vida não voltou a ser a mesma.

Durante seis meses "permanecei na minha casa sem fazer nada", "como em uma caixa", conta esta mulher de 28 anos.

Às vezes ela chora, "em qualquer lugar e a qualquer hora". Estelle tentou se estabilizar tomando ansiolíticos, antes de testar outras terapias, como a acupuntura. Engordou e se separou de seu parceiro.

Trocou de casa e se instalou em uma "residência com muita segurança" nos arredores de Paris. "Fiquei paranoica", confessa.

Paris se converteu para ela em "um lugar que provoca muita angústia". "Os transportes, os bares... tudo se tornou difícil".

Estelle trabalha agora em período parcial em uma escola. "Sinto-me afastada, como se eu estivesse de um lado e os demais do outro". Mas está determinada a superar isso. "Não quero ser uma vítima para sempre".

- "A vida é quase mais bonita" -"Estou feliz de estar vivo", afirma Claude-Emmanuel Triomphe, de 58 anos, que foi baleado duas vezes no terraço de um bar.

Seu pé direito ficou 75% paralisado e precisa se submeter a sessões de fisioterapia duas vezes por semana.

Mas este homem prefere guardar em sua mente a recordação de seu "anjo", uma médica italiana que fez um torniquete com guardanapos.

No início não quis receber ajuda psicológica, porque acreditava que "não precisava disso". "No dia 14 de novembro já estava de bom humor". Mas finalmente começou uma terapia em meados de janeiro.

"Se você tem a sorte, como eu, de ter uma segunda chance, a vida é quase mais bonita", afirma.

- "Como estar em um filme de James Bond"Maureen Roussel trabalhava em um jardim de infância antes do show do grupo Eagles of Death Metal no Bataclan. Não mais. Agora, preside a associação que criou, Life for Paris, que ajuda as vítimas dos ataques de 13 de novembro.

Continuar exercendo sua profissão "não tinha mais sentido. Percebi que, diante de um perigo, não podia nem mesmo me proteger. Por isso, ter crianças sob minha responsabilidade se tornou insuportável", explica esta jovem que tem uma filha.

Sempre que passa em frente a uma escola, Maureen "tem medo de que algo aconteça". Nos lugares fechados, observa sistematicamente onde estão as saídas de emergência.

"Tenho a impressão de estar em um filme de James Bond, que tudo pode explodir a qualquer momento", afirma.

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