Trump promete decisões 'importantes' sobre seu futuro gabinete

Washington, 11 Nov 2016 (AFP) - O presidente recém-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (11) que prepara "decisões muito importantes" sobre a composição de seu gabinete, depois de uma nova noite de protestos de milhares de pessoas em diversas cidades do país.

Mal começou o processo e Trump já anunciou uma mudança em sua equipe de transição para a Casa Branca, que agora será liderada por seu vice, Mike Pence, colocando o governador de Nova Jersey, Chris Christie, em segundo plano.

Pré-candidato à presidência que se uniu ao magnata após abandonar a corrida nas prévias do partido, Christie ficou enfraquecido com a condenação de dois assessores próximos em um escândalo político.

"A missão da nossa equipe será clara: juntar o grupo mais altamente qualificado de líderes bem-sucedidos, que será capaz de implementar nossa agenda de mudança em Washington", declarou Trump, enquanto sua equipe se reunia na Trump Tower, em Nova York.

Farão parte do Comitê Executivo da equipe de transição o presidente do Comitê Nacional Republicano, Reince Priebus, assim como três filhos do magnata nova-iorquino - Donald Trump Jr., Eric Trump e Ivanka Trump.

"Um dia ocupado em Nova York. Logo tomarei decisões muito importantes sobre as pessoas que vão dirigir nosso governo", informou, nesta sexta, em uma mensagem no Twitter.

O presidente eleito tem pouco mais de dois meses para compor seu governo. Embora os cargos mais importantes ainda tenham de ser confirmados pelo Senado, não se espera dificuldades para as nomeações, já que o Partido Republicano controla as duas Casas do Congresso.

Os três nomes mais cotados até o momento são os de Christie, o do ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani e o do ex-presidente da Câmara de Representantes Newt Gingrich, todos pesos-pesados do Partido Republicano e que deram seu apoio a Donald Trump durante a campanha.

Na véspera, Trump também estendeu uma ponte fundamental ao se reunir com o atual presidente da Câmara de Representantes, Paul Ryan, com quem manteve frias e tensas relações durante a campanha.

Nesta sexta, ele falou "durante sete, ou oito, minutos" com o presidente da França, François Hollande, em uma conversa dedicada a temas de interesse convergente, informou o gabinete da presidência francesa.

Trump e Hollande "abordaram temas comuns, sobre os quais concordaram em esclarecer posições: luta contra o terrorismo, Ucrânia, Síria, Iraque e acordo de Paris" sobre o clima, segundo assessores franceses.

A Casa Branca divulgou nesta sexta, por sua vez, que o presidente Barack Obama se reunirá com os principais aliados europeus e com o presidente chinês, Xi Jinping, em uma viagem por três países na próxima semana para lhes dar garantias sobre a manutenção de compromissos por parte dos Estados Unidos.

Hoje, em uma homenagem aos soldados americanos mortos em combate, Obama voltou a insistir na necessidade de apoiar a união nacional.

A campanha eleitoral - disse Obama - "desnudou diferenças em todo o país, mas, quando a eleição termina, devemos buscar formas de nos unirmos novamente, de nos conectarmos uns aos outros".

O assessor de Obama para Segurança Nacional Ben Rhodes disse à imprensa que é lógico prever que a agenda desses encontros será o futuro ocupante da Casa Branca.

"Supomos que para onde vamos (após as eleições) seja o tema prioritário na mente de todos", disse Rhodes.

Segunda noite de protestosOs esforços de Trump para transmitir um ambiente de normalidade no país não foram de todo bem-sucedidos, porém.

Pela segunda noite consecutiva, milhares de pessoas - em especial jovens - saíram às ruas na quinta-feira em Los Angeles, Baltimore, Chicago, Denver, Dallas e Portland, entre outras, para expressar sua frustração com a vitória do polêmico milionário.

Em geral, os protestos foram pacíficos, mas, em Portland, houve episódios isolados de violência, e a polícia prendeu 26 pessoas.

"Não posso defender uma pessoa que legitimou o sexismo, o racismo e a xenofobia (...) Estou furiosa com meus amigos brancos que votaram nele", lançou Elizabeth Byrd, uma terapeuta de 30 anos, que trabalha em uma escola pública no Colorado.

Centenas de alunos da prestigiosa Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) se reuniram no campus para expressar sua frustração com o resultado eleitoral da última terça.

"Temos de nos unir contra Trump, todas as minorias", conclamou Daisy Rivera, de 24.

Em São Francisco, 560 km ao norte de Los Angeles, estudantes de uma escola do Ensino Médio bloquearam o trânsito para marchar até a prefeitura.

"Protestamos, porque queremos defender nossos direitos e merecemos ser ouvidos", disse Pamela Campos, de 18, ao jornal San Francisco Chronicle.

Outras 200 pessoas se concentraram no Washington Square Park, de Manhattan.

A culpa da imprensaFiel ao estilo demonstrado na campanha eleitoral, à noite, Trump recorreu ao Twitter para condenar os protestos e culpar os jornais por eles.

"Acabo de ter uma eleição presidencial aberta e bem-sucedida. Agora, manifestantes profissionais, incitados pela imprensa, estão protestando. É muito injusto!", tuitou.

Horas mais tarde, preferiu adotar um tom mais conciliador.

"Encantado com o fato de os pequenos grupos de manifestantes de ontem à noite terem paixão por nosso grande país. Estaremos todos unidos e orgulhosos", recuou.

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