Protestos se espalham nos EUA e Trump recua

Nova York, 13 Nov 2016 (AFP) - Milhares de americanos foram às ruas, neste sábado (12), para um quarto dia de protestos contra Donald Trump, enquanto o presidente recém-eleito reduziu o tom de sua incendiária retórica que o levou à Casa Branca, entrando na fase pós-eleição.

Reunido com sua equipe de transição em sua residência em Manhattan, a Trump Tower, o magnata republicano mostrou um tom conciliador desde que sua vitória eleitoral surpreendeu o mundo e, na sexta-feira, anunciou que não iria desmantelar o programa de Saúde do presidente Barack Obama, conhecido como Obamacare.

Neste sábado, cerca de 15 mil pessoas marcharam rumo à Trump Tower aos gritos de "Trump NÃO é meu presidente".

No centro de Chicago, milhares protestaram pacificamente sob o slogan "Sem ódio. Sem medo. Aqui os imigrantes são bem-vindos".

Em Los Angeles, a Polícia prendeu dezenas dos 3.000 manifestantes que tomaram as ruas centrais, levando cartazes nos quais se lia "Não é meu presidente".

Movimentos no xadrezNos últimos dias, a Trump Tower foi o epicentro de uma febril atividade da equipe de transição do novo presidente, que está definindo seu futuro gabinete e os nomes de centenas de pessoas que vão ocupar os altos escalões do governo que assume em janeiro de 2017.

Entre os que passaram pelo prédio de sábado, está Nigel Farage, do Partido da Independência do Reino Unido, de direita, e ardoroso promotor do "Brexit", cuja vitória no referendo em junho passado levou à saída do país da União Europeia. Farage disse que estava lá apenas como "turista".

O documentarista de esquerda Michael Moore tentou entrar na torre, mas teve seu acesso impedido pelos seguranças.

Marion Marechal-Le Pen, sobrinha de Marine Le Pen, a líder do partido francês de extrema-direita Frente Nacional, disse hoje estar em contato com a equipe de Trump para trabalhar em conjunto.

A vitória do candidato republicano foi saudada por várias organizações europeias de ultradireita.

Quatro dias depois da eleição do magnata, o mundo observa cada um de seus movimentos, em uma tentativa para encontrar pistas sobre como será seu governo.

A mudança de sua postura em relação ao Obamacare aconteceu após sua reunião com o presidente em final de mandato, na última quinta-feira (10), na Casa Branca.

Em sua primeira entrevista após a eleição, Trump disse ao jornal The Wall Street Journal que poderá manter a proibição para que as seguradoras neguem cobertura, alegando condições pré-existentes. Disse ainda que pode continuar garantindo que os menores estejam sob a cobertura de seus pais até os 26 anos, um ponto importante do Obamacare.

Essa foi uma das várias ações de Trump e de seus assessores para se afastar das posturas mais radicais exibidas durante a campanha.

Consultado pelo jornal sobre se designaria um procurador especial para investigar sua oponente democrata Hillary Clinton sobre o uso de um e-mail privado quando era secretária de Estado, o presidente recém-eleito afirmou que "não é algo em que tenha pensado muito, porque quero resolver os temas de saúde, emprego, controle de fronteiras e reforma fiscal".

Newt Gingrich, um dos principais nomes ligados ao magnata, lançou dúvidas sobre se Trump obrigará o México a custear a construção de um muro na fronteira.

"Dedicará muito tempo a controlar a fronteira. Talvez não gaste muito tempo tentando fazer o México pagar por ele, mas foi uma grande estratégia de campanha", desconversou Gingrich, segundo The Washington Post.

'Agora é diferente'Apesar de um tom mais comedido, Trump ainda deve responder aos crescentes apelos para dar garantias de que não tomará medidas xenofóbicas em seu governo.

O South Poverty Law Center (SPLC), que monitora os grupos de ódio, rastreou mais de 200 incidentes de assédio eleitoral e de intimidação nos três dias que se seguiram à eleição.

Mais de 47.000 pessoas firmaram um abaixo-assinado do SPLC, pedindo a Trump que se distancie das posturas de "ódio".

Ao ser questionado pelo Wall Street Journal sobre se sua retórica foi longe demais, Trump foi categórico: "Não. Eu ganhei".

Admitiu, porém, que assumirá uma postura mais positiva, porque "agora é diferente".

"Quero um país, em que se amem uns aos outros", afirmou, acrescentando que a forma de aliviar a tensão é "criando empregos".

Em uma entrevista à rede CBS, que será transmitida no domingo, Trump comenta o telefonema recebido por Hillary após os resultados.

"Foi um telefonema muito bonito, e foi um telefonema muito duro de fazer para ela... Quer dizer, eu posso imaginar", de acordo com o trechos antecipados da entrevista, na qual classifica sua adversária de "muito forte e muito inteligente".

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