Um ano após atentados, Bataclan renasce ao som de Sting

Paris, 12 Nov 2016 (AFP) - Um ano após os atentados de 13 de novembro, o Bataclan renascerá neste sábado e lembrará com a voz do cantor Sting os 90 mortos no ataque jihadista a esta casa de shows de Paris.

A onda de terror começou nos arredores do Stade de France, ao norte da capital, durante uma partida entre França e Alemanha, e continuou no Bataclan e em bares e restaurantes da cidade. O balanço final dos ataques, reivindicados pelo grupo Estado Islâmico (EI), foi de 130 mortos.

Os atos pelo primeiro aniversário dos atentados começaram na noite desta sexta-feira, no estádio nacional de Saint-Denis, onde os 80 mil espectadores guardaram um minuto de silêncio antes da partida entre França e Suécia pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.

Há um ano, a primeira vítima foi identificada a poucos metros do Stade de France. Três homens acionaram seus cinturões de explosivos, tirando a vida de Manuel Dias, motorista português de 63 anos. Em seguida, morreram 129 pessoas em outros pontos da cidade.

- 'Deve-se lembrar' - "Deve-se lembrar: 130 mortos, centenas de feridos. Primeiro, por sua memória, mas também por todos os que sobreviveram, e para nós que temos que fazer este ato de recordação, de consolo, apoio e solidariedade", disse na noite de ontem o presidente francês, François Hollande, antes da partida.

Acompanhado de parentes das vítimas, Hollande, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, e seu colega de Saint-Denis, Didier Paillard, visitarão neste domingo todos os lugares atingidos pelos atentados: o estádio nacional, os bares e restaurantes Le Carillon, Le Petit Cambodge, La Bonne Bière, Cosa Nostra, Comptoir Voltaire e La Belle Équipe, e o Bataclan.

No dia do aniversário, serão inauguradas placas com o nome das vítimas. Já o Bataclan, que passou por uma reforma completa, será reaberto na noite deste sábado, com um show de Sting. O ex-vocalista do The Police se apresentará por cerca de uma hora a partir das 21h locais.

Os mil ingressos colocados à venda na última terça-feira se esgotaram em menos de meia hora. Os últimos fora distribuídos ontem. A sala, com capacidade para 1.497 personas, também receberá autoridades e parentes das vítimas.

- Balões e velas -Inaugurado como teatro em 1865, o Bataclan vai "fazer muito barulho" hoje, aposta Jérôme Langlet, responsável pela Lagardère Live Entertainment, empresa proprietária do local. "Um ano depois dos atentados, a França e o mundo vão ver que o Bataclan renasce."

"Era necessário acontecer alguma coisa antes do domingo", disse Jules Frutos, diretor da casa de shows. "Começar com cerimônias em frente ao Bataclan e, depois, música, não me convencia."

Como parte das homenagens, o presidente francês, François Hollande, reuniu-se com vítimas, associações e magistrados que investigam o caso.

A associação Life for Paris soltará balões na tarde deste sábado. À noite, serão depositadas lanternas, símbolos de esperança e vida", no Canal Saint Martin, próximo de vários dos locais atacados. A associação "13 de novembro: fraternidade e verdade" também convocou os franceses a participar dos atos, colocando velas em suas janelas.

Sting, 65, não cobrará pelo show, cuja renda será destinada a estas duas associações de vítimas.

O cantor inglês, que fez no Bataclan um show memorável com o The Police em 23 de abril de 1979, prometeu "honrar a memória dos que morreram".

O show será filmado e exibido por várias redes de TV neste domingo.

A sala de espetáculos, testemunha, por décadas, da noite parisiense, tornou-se um local de peregrinação e recolhimento.

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