Antecipar eleições não está na mesa de negociação, diz Maduro

Caracas, 13 Nov 2016 (AFP) - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, descartou neste domingo (13) a possibilidade de negociar uma antecipação das eleições, ou a reativação de um referendo revogatório, no diálogo em curso com a oposição.

"Saída eleitoral? Saída para onde? (...) Que ninguém fique obcecado com processos eleitorais que não estão na Constituição", advertiu Maduro.

Ele garantiu que a mesa de diálogo "vai bem", após os primeiros acordos firmados por ambas as partes no sábado (12), mas acusou a oposição de desvirtuar seu conteúdo.

Ontem, um dos negociadores da Mesa da Unidade Democrática (MUD), Carlos Ocariz, disse que a coalizão se manterá no diálogo "até obter o mais importante: eleições nacionais e referendo revogatório".

Maduro ironizou a declaração.

"A MUD continuará na mesa até conseguir a saída eleitoral. Me alegra muito que a MUD vá continuar na mesa de diálogo até dezembro de 2018", afirmou, referindo-se à data prevista para a próxima eleição presidencial.

O processo para a realização do referendo contra Maduro foi suspenso em 20 de outubro passado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Maduro enfatizou que seu governo não está indo para o diálogo como uma "rendição".

"Está tudo escrito, acordado entre as partes. Por que saem depois dizendo o contrário?", questionou.

Segundo um comunicado lido pelo enviado do Vaticano, monsenhor Carlos María Celli, governo e oposição decidiram "superar" a questão do desacato da maioria opositora do Parlamento. Também se comprometeram a trabalhar em conjunto para a eleição de dois reitores do CNE.

Maduro convocou o Parlamento a "desincorporar", na sessão da próxima terça-feira, os três deputados com seus mandatos suspensos pela Justiça - todos do estado do Amazonas (sul) - e que "cumpram" as sentenças do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

"Se o Poder eleitoral diz: 'no próximo domingo são as eleições no Amazonas', no próximo domingo vamos às eleições", acrescentou.

Em relação à indicação dos reitores do CNE, Maduro defendeu que seja feita "com respeito da lei".

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