Presidente da Coreia do Sul será interrogada sobre caso de corrupção

Seul, 13 Nov 2016 (AFP) - O Ministério Público de Seul informou neste domingo que quer interrogar o mais rápido possível a presidente sul-coreana Park Geun-hye sobre um explosivo escândalo de corrupção que gerou manifestações em massa exigindo a demissão da chefe de Estado.

"Precismos interrogar a presidente na terça ou quarta-feira, no mais tardar", informou uma fonte da procuradoria de Seul, citada pela agência de notícias sul-coreana Yonhap, acrescen tando que já foi enviada uma intimação e que agora esperam por uma resposta.

Park poderá dar esta resposta a partir de terça, depois de escolher um advogado, declarou seu porta-voz sem dar maiores detalhes.

Se aceitar, será a primeira vez que um presidente sul-coreano em exercício se submeterá a uma sessão deste tipo.

Recentemente, ela se declarou disposta a responder às perguntas sem se amparar na imunidade presidenciail.

O escândalo de corrupção envolvendo a presidente provocou uma onda de protestos e os organizadores de uma megamanifestação no sábado para pedir a renúncia de Park Geun-Hye afirmaram ter reunido um milhão de pessoas em Seul.

A polícia, por sua vez, falou de cerca de 170.000 e pessoas e posteriormente corrigiu a cifra para 260.000.

A origem dos protestos é uma amiga e confidente da presidente sul-coreana, chamada de "Rasputina" pela imprensa, que foi detida sob suspeita de tráfico de influência, abrindo caminho a um escândalo político de consequências imprevisíveis para Park Geun-Hye.

Geun-Hye está desestabilizada por uma série de revelações que sugerem que Choin Soon-Sil, sua amiga há 40 anos, a aconselhava nos assuntos de Estado sem exercer nenhuma função oficial ou ter habilitação em matéria de segurança.

Choi é investigada por tráfico de influência e corrupção devido a suspeitas de que aproveitou seus contatos na "Casa Azul", sede da presidência, para extorquir os principais conglomerados econômicos do país, como Samsung, que teria destinado importantes somas de dinheiro a fundações criadas pela amiga da presidente.

Na semana passada, ao retornar da Alemanha, para onde havia fugido, Choi se entregou à polícia e foi submetida a várias horas de interrogatório pelo Ministério Público (MP) sul-coreano.

"Desculpem-me. Cometi um pecado mortal", declaro Choi depois de entrar na sede do MP.

Durante dias, a imprensa informou diariamente sobre esta mulher de 60 anos e seu relacionamento com a presidente.

Os meios de comunicação a descrevem como uma "Rasputina" - em alusão a Rasputin, o místico (chamado de "Monge Louco") que exerceu uma grande influência sobre o Czar Nicolau II da Rússia no início do século XX. Choi relia e corrigia os discursos da presidente e até mesmo a aconselhava nas nomeações de integrantes de alto escalão.

Além disso, ela teria tido acesso a documentos confidenciais, o que abala a imagem da presidente, em franca queda, apesar de ter se desculpado publicamente na sexta-feira passada.

Apenas 9,2% dos sul-coreanos aprovam sua gestão e 67% desejam que a presidente renuncie, segundo uma pesquisa de opinião pública divulgada nesta terça-feira.

Choi é filha de uma misteriosa figura religiosa, Choi-Tae-Min, chefe autoproclamado da Igreja da Vida Eterna.

Ele havia se convertido em mentor de Park Geun-Hye depois do assassinato de sua mãe, em 1974.

Segundo a imprensa, Choi Soon-Sil teria herdado de seu pai, morto em 1994, uma influência pouco apropriada sobre a presidência.

O ex-marido de Choi Soon-Sil havia sido um dos principais adjuntos de Park até sua eleição, em 2012.

Choi visitava frequentemente a "Casa Azul" desde que Park assumiu a presidência, em fevereiro de 2013, afirmou nesta terça-feira o jornal Hankyoreh.

A presidência desmentiu energicamente esta afirmação, e a presidente Park só admitiu ter pedido conselhos a Choi a respeito de alguns discursos.

Depois da explosão do escândalo, Park destituiu vários de seus conselheiros suspeitos de estar vinculados a Choi.

Para superar a crise, Park cogita a possibilidade de nomear um gabinete de união nacional, segundo alguns observadores.

A Constituição sul-coreana não autoriza ações judiciais contra um presidente em funções.

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