UE debate suas prioridades após vitória de Trump nos EUA

Bruxelas, 14 Nov 2016 (AFP) - Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia começaram a analisar em um jantar informal, neste domingo (13) à noite, o impacto da vitória do magnata americano Donald Trump e sua chegada à Casa Branca para um bloco já enfraquecido por uma série de crises.

"É claro, cada presidente tem sua própria abordagem (...) que terá consequências para nós também", disse o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, ao chegar ao encontro, o qual acontece - segundo ele - "muito cedo".

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, convocou o jantar para analisar as futuras relações transatlânticas com Trump. Ao longo da campanha, o republicano já questionou dois de seus pilares: os acordos comerciais e o compromisso de ajuda mútua no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A UE observa ainda uma aparente aproximação do magnata com o presidente russo, Vladimir Putin.

"Não sabemos o que esperar. Essa é a realidade. Muito se disse durante a campanha que, se acontecer, representará uma mudança séria na política externa dos Estados Unidos", admitiu uma fonte europeia, que pediu para não ser identificada.

Por motivos diferentes, nem o ministro britânico Boris Johnson nem o francês Jean-Marc Ayrault participam da reunião.

O chanceler francês justificou su ausência por razões de agenda, especialmente pelo encontro que terá em Paris, nesta segunda de manhã, com o próximo secretário-geral da ONU, o português António Guterres.

Já Boris "Johnson não vê utilidade de uma reunião extra", explicou o Foreign Office.

"Eles podem abordar esse assunto na segunda, no encontro mensal dos 28, e em um formato normal de uma série de temas", acrescentou.

Para o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, os acontecimentos de 2016 são um "sinal de alerta para todos os que acreditam na democracia liberal". Nesse sentido, pediu que os europeus se unam.

Na sexta-feira (11), o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, aconselhou que Trump deve se apressar em compreender como a Europa funciona e, assim, evitar "dois anos de tempo perdido".

"Durante sua campanha, Trump disse que a Bélgica era uma cidade em algum lugar da Europa", lembrou Juncker em um debate com estudantes em Luxemburgo.

"Deveremos, portanto, ensinar o presidente eleito sobre em que consiste a Europa e como ela funciona", afirmou.

"Acredito que teremos dois anos de tempo perdido até que Trump entenda um mundo que não conhece", completou.

Para Juncker, o milionário populista "esgrime temas com consequências perniciosas, porque colocam em dúvida a Aliança Atlântica (Otan) e o modelo sobre o qual repousa a defesa da Europa".

"Os americanos, em regra geral, não têm qualquer interesse na Europa. Isso é certo para a classe política, também o é para o interior do país. Não conhecem a Europa", apontou.

Além da política, a UE ainda tenta recuperar sua economia desde o crash de 2008 e trabalha com a chegada de migrantes em um polêmico acordo com a Turquia. Enfrenta também uma "crise existencial" desde que o Reino Unido decidiu, em junho, sair do bloco, com a vitória do "Brexit".

"Os europeus estão confusos", concluiu, em um seminário, Judy Dempsey, do "think tank" Carnegie Europe.

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