Ataques do regime e da Rússia em regiões rebeldes na Síria

Alepo, Síria, 15 Nov 2016 (AFP) - A Rússia realizou nesta terça-feira seus primeiros ataques aéreos sobre a Síria a partir de seus porta-aviões no Mediterrâneo, enquanto a aviação síria atingiu pela primeira vez em um mês bairros residenciais de Aleppo controlados pelos insurgentes - ações que, para Washington, violam as leis internacionais.

"Pela primeira vez na história da frota russa, o porta-aviões Almirante Kuznetsov participou de operações armadas", fazendo decolar aviões Su-33, declarou o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, durante uma reunião com o presidente Vladimir Putin e o Estado Maior.

O exército russo, segundo ele, começou uma operação de magnitude contra posições da organização Estado Islâmico (EI) e da Frente Fateh al-Sham (ex-Frente al-Nusra, Al-Qaeda na Síria) nas regiões de Idleb e Homs, no noroeste e centro do país. Esta operação também envolve a fragata russa Amiral Grigorovich, que disparou mísseis de cruzeiro Kalibr.

De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), os ataques russos visaram as localidades de Saraqeb, Jisr al-Shughour, Ariha, Maaret al-Noomane, Kafar Nebbol, redutos da oposição, que controla quase toda a província.

O porta-aviões Almirante Kuznetsov chegou na semana passada ao largo da costa da Síria para reforçar a presença militar russa no país dilacerado pela guerra desde 2011 e onde Moscou realiza há mais de um ano uma operação em apoio às forças do regime do presidente Bashar al-Assad.

Enquanto isso, após uma pausa de um mês a pedido dos russos, o exército sírio bombardeou áreas residenciais na parte oriental da cidade de Aleppo, controladas por rebeldes, informou o OSDH.

Ainda segundo a ONG, nas últimas 24 horas três hospitais situados em zonas rebeldes do norte da Síria foram atingidos pelos bombardeios. Vários médicos e pacientes ficaram feridos, acrescentou a fonte.

Os Estados Unidos condenaram os ataques aéreos russos e advertiram que bombardear alvos civis viola o direito internacional.

A porta-voz do Departamento de Estado, Elizabeth Trudeau, disse que Washington havia recebido informes de que os últimos ataques de Moscou e do regime sírio tiveram como alvo clínicas e hospitais.

Os bombardeios são a primeira operação de grande envergadura na Síria desde a eleição de Donald Trump para suceder Barack Obama na Casa Branca, que sugeriu, em uma entrevista publicada no sábado ao The New York Times, que trabalharia estreitamente com a Rússia no conflito sírio.

'Ataques aéreos e barris explosivos'"As forças do regime realizaram ataques e lançaram barris de explosivos em vários bairros de Aleppo pela primeira vez desde 18 de outubro", disse o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

De acordo com um fotógrafo da AFP, os bairros de Sakhour e de Massaken Hanano foram alvos, com o OSDH evocando pelo menos cinco civis mortos e muitos feridos nos ataques.

O correspondente da AFP relatou seis ataques em Sakhour e dois barris de explosivos lançados sobre o bairro. Ele viu feridos sendo evacuados para hospitais e, pela primeira vez, aviões desviando para não serem atingidos por mísseis terra-ar.

As forças aéreas russa e síria tinham cessado seus ataques em 18 de outubro, três dias antes de uma trégua concebida por Moscou e Damasco.

Antiga capital econômica da Síria, Aleppo é um grande objetivo tanto para o regime do presidente Bashar al-Assad quanto para os insurgentes, que lutam desde 2011 em uma guerra cada vez mais complexa, que matou mais de 300.000 pessoas.

As forças governamentais tentam retomar o controle total desta que é a segunda cidade do país, dividida desde 2012 em setores rebeldes, a leste, e zonas sob o controle do regime, a oeste.

Produção alimentar em nível mais baixoApós cinco anos de guerra, a produção de alimentos na Síria caiu a um mínimo histórico devido, alertaram nesta terça-feira a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

"A produção alimentar na Síria se encontra em um mínimo histórico (...), e o clima desfavorável em algumas regiões do país continua dificultando o acesso à terra, aos fornecimentos agrícolas e aos mercados", disseram as organizações.

Estas condições "tornam cada vez mais difícil para os agricultores manter seus meios de subsistência e alimentar em um país assolado pela guerra".

Cerca de 8,7 milhões de pessoas, mais de um terço da população síria, não dispõem de comida suficiente, segundo cifras da FAO e do PMA divulgadas em agosto.

Segundo uma missão de avaliação conjunta da FAO e do PMA, na temporada 2015-2016 as áreas reservadas ao cultivo de cereais foram de 900 mil hectares, comparado ao 1,5 milhão de antes da guerra.

A produção mostra uma queda "ainda mais drástica", com 1,5 milhão de toneladas de trigo colhidas este ano, contra 3,4 milhões antes da guerra, ou 55% menos.

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