Relatório denuncia deterioração da liberdade religiosa no mundo

Paris, 15 Nov 2016 (AFP) - A organização católica Ajuda à Igreja Necessitada (AIN) denunciou nesta terça-feira uma deterioração da liberdade religiosa no mundo entre 2014 e 2016, principalmente em 38 países, onde registrou graves discriminações ou perseguições.

Esta fundação internacional de direito pontifical, que analisou a situação de 196 países entre junho de 2014 e junho de 2016, aponta em um relatório a existência de perseguição religiosa grave em 24 países, como Indonésia e Líbia, e discriminação em outros 14, incluindo Irã e Ucrânia.

Foi mantido o status quo em 21 dos 38 países que geram maior preocupação, e uma melhora em três: Butão, Egito e Catar.

Em sete países (Afeganistão, Iraque, Nigéria, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Somália e Síria), a situação "já era tão ruim que, dificilmente, poderia piorar", assinala o documento.

Em 14 países, ou um terço das nações onde há problemas, "a situação piorou sensivelmente desde 2014", segundo a AIN.

Este é o caso de Bangladesh, país de maioria muçulmana onde "os grupos religiosos minoritários são alvos, com 48 assassinatos em 18 meses"; do Sudão, onde a fundação católica denuncia a "prisão de ministros de culto e o confisco de terras da Igreja", e da Argélia, onde indica que "houve condenações e prisões, em várias localidades, de pessoas que não respeitam o ramadã", mês de jejum muçulmano.

Esta deterioração global se deve a um fenômeno que a AIN classifica de "hiperextremismo islamita", que inclui uma "radicalização exacerbada" e um "aumento considerável dos ataques".

- Impacto na crise migratória -Desde junho de 2014, "ocorreram ataques islamitas em um em cada cinco países do mundo", contabiliza o documento.

No Oriente Médio, embora não seja a única região afetada, "foi onde ocorreram os maiores ataques", assinala Marc Fromager, diretor da AIN na França.

"Os ataques contras cristãos, yazidis e outras minorias pela organização Estado Islâmico e outros grupos fundamentalistas violam a Convenção da ONU para a Prevenção e Sanção do Crime de Genocídio", assinala o relatório.

Entre as consequências deste extremismo está "o aumento substancial e repentino" do número de refugiados. Em 2015, foi registrado um recorde de 65,3 milhões de deslocados no mundo, o que corresponde a um aumento de 5,8 milhões, segundo cifras das Nações Unidas.

Embora os principais responsáveis pela perseguição religiosa sejam grupos como EI e Boko Haram, a organização aponta "uma nova onda de repressão", que emana de regimes autoritários, como Turcomenistão e China, onde a AIN denuncia a "destruição de cruzes em 2 mil igrejas".

Na Eritreia, "pelo menos 3 mil cristãos estão presos devido a sua religião", segundo a organização.

Nenhum país da Europa - à exceção da Ucrânia, onde a igreja aponta ameaças em regiões pró-Rússia - figura na lista de 38 países na mira da AIN. A organização destaca, no entanto, o "recrudescimento de atos antissemitas" em países como a França.

A América Latina tampouco figura na lista, mas a organização expressa preocupação com a situação no México, que registra o maior número de ataques a curas no continente. Naquele país, os casos de "discriminação e intolerância" motivados por religião não param de aumentar, segundo a organização.

A Argentina é o país da América Latina onde se registra a maior integração de pessoas de diferentes religiões. O documento também dá conta de avanços na Colômbia, "onde o número de assassinatos de curas diminuiu".

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