Kerry 'confiante' de que compromissos dos EUA sobre clima não serão 'revertidos'

Marrakech, Marrocos, 16 Nov 2016 (AFP) - Uma semana após a eleição do cético das mudanças climáticas Donald Trump para a Casa Branca, o secretário de Estado americano, John Kerry, disse na quarta-feira que está "confiante" de que os compromissos climáticos de Washington não podem ser revertidos "independentemente de qual política seja escolhida" pelo sucessor de Barack Obama.

Os Estados Unidos estão a caminho de cumprir os compromissos assumidos no Acordo de Paris, e "não acredito que isso possa ser ou será revertido", disse Kerry em um discurso durante a Conferência da ONU sobre o clima em Marrakesh (COP22).

As forças do mercado, e não a política, ditarão o futuro energético do mundo, acrescentou Kerry.

"É por isso que estou confiante para o futuro, independentemente de qual política possa ser escolhida, por causa do mercado", afirmou.

Trump afirma que as mudanças climáticas são uma farsa criada pela China para prejudicar os Estados Unidos e prometeu "cancelar" o histórico Acordo de Paris, assinado em dezembro passado, para limitar o aquecimento global.

A reunião de Marrakesh começou a elaborar um roteiro para colocar em ação os objetivos do acordo, mas muitos temem que Trump cumprirá a sua promessa de retirar os Estados Unidos do processo, destruindo o impulso político acumulado ao longo de anos de duras negociações.

Kerry disse que a tendência global se afastou dos combustíveis fósseis, que emitem gases de efeito estufa quando queimados, em direção a fontes mais verdes e renováveis.

"Este realmente é um ponto de inflexão. É um motivo para otimismo, apesar do que você vê em diferentes países com relação à política, à mudança", disse o político, brincando que ele participaria da próxima reunião da ONU sobre o clima, em 2017, como "Cidadão Kerry".

Ele procurou ressaltar a gravidade do perigo que ameaça o mundo se não agirmos rapidamente.

"O tempo não está do nosso lado. O mundo já está mudando a um ritmo cada vez mais alarmante, com consequências cada vez mais alarmantes", disse Kerry, que fez da luta contra o aquecimento global um selo do seu mandato.

"Em algum momento até o mais forte cético tem que reconhecer que algo perturbador está acontecendo", afirmou.

"Ninguém tem o direito de tomar decisões que afetam milhões de pessoas baseado apenas em ideologia, sem os devidos dados", acrescentou Kerry.

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