Obama pede correção de rumo na globalização em sua última escala na Europa

Berlim, 16 Nov 2016 (AFP) - O presidente americano, Barack Obama, chegou nesta quarta-feira a Berlim, última escala europeia de sua viagem de despedida, após ter pedido, em Atenas, uma correção de rumo na globalização, em uma viagem voltada a acalmar os temores suscitados pela vitória de Donald Trump para sucedê-lo.

Em sua sexta e última visita oficial à Alemanha, o presidente americano jantará na noite desta quarta-feira com a chanceler, Angela Merkel, sua "parceira internacional mais próxima nos últimos oito anos", e se voltará se reunir com ela na quinta-feira.

Muitos analistas e veículos de comunicação veem neste encontro uma forma de passar o bastão, levando em conta que alguns de seus partidários consideram que Merkel poderia se tornar a nova líder do mundo livre após a eleição de Trump.

Na sexta-feira, os dois chefes de Estado participarão de um encontro com líderes de Reino Unido, França, Itália e Espanha. Para encerrar esta última viagem internacional como presidente dos Estados Unidos, Obama seguirá para o Peru, onde participará da cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).

Em seu discurso, em Atenas, Obama pediu uma correção no rumo da globalização para evitar o auge das desigualdades.

Após a vitória de Trump, a viagem de Obama se tornou uma tentativa de tranquilizar a opinião mundial ante a chegada do polêmico bilionário à Presidência dos Estados Unidos.

"O caminho mundial da globalização precisa de uma correção de rumo", disse o presidente.

'Profundo sentimento de injustiça'"Quando vemos as pessoas, as elites mundiais, ricas multinacionais, vivendo na aparência com regras do jogo distintas, sonegando impostos, manipulando os vácuos legais (...), tudo isto alimenta um profundo sentimento de injustiça", afirmou.

Durante sua viagem, Obama abordou, em várias ocasiões, a frustração que levou as pessoas a fazerem escolhas extremas, como Trump nos Estados Unidos ou o Brexit no Reino Unido.

Na terça-feira, o presidente americano já tinha advertido para o auge de "uma espécie de nacionalismo tosco ou de identidade étnica ou de tribalismo, que se constrói ao redor de um 'nós' e um 'eles'".

Os países europeus, especialmente os do leste, mais próximos da Rússia, temem que Donald Trump ponha em dúvida o compromisso dos Estados Unidos com a Otan, que lhes assegura proteção militar.

Durante a campanha, Trump também comemorou a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE) e criticou duramente os tratados de livre comércio.

Apesar disso, Obama insistiu na Grécia em que a unidade da Europa e da Otan, que é "absolutamente vital" para os interesses americanos, continuariam sendo a pedra angular da política externa do seu país.

"Já sabemos o que acontece quando os europeus começam a ficar divididos (...) O século XX foi um banho de sangue", lembrou na terça-feira.

Em Atenas, Obama elogiou a "extraordinária compaixão" dos gregos com os milhares de refugiados que chegam ao país.

"Quero agradecer aos gregos por sua resposta humanitária" e por sua "compaixão extraordinária", disse em coletiva de imprensa ao lado do premiê grego, Alexis Tsipras.

Apesar da boa acolhida, cerca de 2.500 pessoas protestaram na terça-feira, em Atenas, contra a visita de Obama com cartazes que diziam "persona non grata" e que denunciavam o "imperialismo" dos Estados Unidos.

Quando tentavam romper a barreira policial para chegar ao centro da cidade, foram repelidas com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. Segundo a polícia, muitos manifestantes eram anarquistas.

Obama também lançou uma mensagem aos gregos, que viveram anos de políticas de austeridade em troca do resgate de sua economia.

"Em minha mensagem para o resto da Europa, continuarei insistindo em nossa visão de que a austeridade por si só não pode gerar prosperidade", disse na terça-feira ao premiê Tsipras.

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