Líderes da Ásia-Pacífico debatem acordos comerciais na era Trump

Lima, 17 Nov 2016 (AFP) - Os principais líderes da região Ásia-Pacífico se reúnem a partir desta quinta-feira para defender seus preciosos acordos comerciais, ameaçados pelas políticas protecionistas do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.

O Peru começa a receber os ministros, empresários e executivos dos países que integram o fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) para, a partir de sexta até domingo, dar vez aos governantes das 21 nações do bloco.

A cúpula acolherá chefes de governo como os da China, Xi Jinping; Japão, Shinzo Abe; Rússia, Vladimir Putin; além do presidente em fim de mandato dos Estados Unidos, Barack Obama.

"Este fórum é um espaço crucial para nos assegurarmos de que o dinamismo do comércio internacional não se perca e seja um dos motores de nosso crescimento", afirmou o presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski.

A seguir, os temas que serão abordados nas deliberações em Lima.

Efeito TrumpTrump tem semeado incertezas no mundo com suas propostas de frear o livre comércio internacional para proteger os empregos nos Estados Unidos. Isso afeta particularmente a região da Ásia-Pacífico, que representa quase 60% da economia mundial e 40% da população global.

Os líderes buscarão em sua nova cúpula uma "declaração forte" para contra-atacar os argumentos anticomerciais de Trump, afirmou Eduardo Pedrosa, secretário-geral do Conselho de Cooperação Econômica do Pacífico.

Os economistas esperam que Trump aplique medidas protecionistas que, segundo dizem, fortaleceriam a maior economia do mundo a curto prazo, mas poderiam ameaçar a estabilidade global.

Ele poderá impor tributos punitivos a sócios comerciais poderosos como a China e revisar acordos-chave de livre comércio com países como o México, que dependem do mercado americano, considerou o Instituto de Finanças Internacionais.

"Se tais medidas forem tomadas, as tensões comerciais certamente aumentarão, com a guerra comercial como um possível pior cenário", afirmou em um relatório.

Obama buscou "reequilibrar" o comércio em relação aos acordos com a Ásia e o Pacífico. Mas Trump tem rejeitado a assinatura do Acordo de Associação Transpacífico (TPP) considerando-o como "terrível".

O TPP, que deve ser ratificado pelos países signatários, agrupa os Estados Unidos e outras 11 economias da região Ásia-Pacífico, entre elas Chile, México e Peru. O bloco exclui a China e se tornaria a maior zona de livre comércio do mundo.

Na agenda da presidente Michelle Bachelet está programada uma reunião entre os líderes do TPP para discutir o futuro do acordo, disse a chancelaria chilena.

"Não creio que vá acontecer uma grande catástrofe. Na campanha, Trump disse coisas, mas sentado na cadeira presidencial vai ter que reavaliar", afirmou o ministro do Comércio Exterior do Peru, Eduardo Ferreyros.

SegurançaTrump também questiona o papel dos Estados Unidos como "polícia do mundo". Aliados como Japão e Coreia do Sul estão preocupados ante a possibilidade de que reduza sua presença militar, econômica e diplomática. Temem que possa deixá-los a mercê de uma China dominante e uma beligerante Coreia do Norte.

O republicano tem preocupado a região ao falar que o Japão e a Coreia do Sul deveriam conseguir armas nucleares para se defender. Além disso, mostrou admiração pelo presidente russo Vladimir Putin, que não goza da confiança de Obama e seus aliados.

Trump ainda afirma que a mudança climática é uma "mentira" chinesa para socavar a competitividade da indústria americana.

O muro que separaOs líderes da América Latina na sala, incluindo o presidente mexicano Enrique Peña Nieto, também estarão atentos às políticas migratórias americanas.

Durante a campanha, Trump insultou os imigrantes mexicanos chamando-os de "criminosos" e "estupradores". Comprometeu-se em construir um muro na fronteira com o México para evitar os imigrantes ilegais e ameaçou em fazer deportações em massa.

Esse planejamento é questionado pelos governantes latino-americanos, entre eles o anfitrião Kuczynski, que qualificou o feito como "um crime".

China aproveita o pânicoEm meio a convulsão, a China impulsionará seus próprios acordos comerciais para ganhar vantagem sobre os Estados Unidos na batalha pela influência global.

"O panorama econômico na Ásia-Pacífico está mudando rapidamente, com a China ganhando cada vez mais um papel de liderança regional", escreveu Rajiv Biswas, economista-chefe da Ásia-Pacífico do grupo de pesquisa IHS Global Insight.

A China foi excluída do TPP. Mas devido a negativa de Trump em aprová-lo, "o TPP mudou de ser um pato coxo para um pato morto", considerou Biswas.

Pelo contrário, a China propõe uma Zona de Livre Comércio na região da Ásia-Pacífico (FTAAP) e uma Associação Econômica Integral Regional (RCEP) de 16 membros, que inclui a Índia, mas não os Estados Unidos.

O ministro de Comércio da Austrália, Steven Ciobo, disse na quarta-feira ao Financial Times que seu país está disposto a incorporar propostas respaldadas pela China agora que o TPP parece sentenciado à morte.

"Qualquer medida que reduza as barreiras ao comércio (...) é um passo na direção certa", sustentou.

Enquanto isso, a China segue desembarcando na América Latina, oferecendo financiamentos milionários para projetos de infraestrutura no Brasil, Peru e Bolívia, entre outros.

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