Naufrágios no Mediterrâneo somam 18 mortos e 340 desaparecidos esta semana

Roma, 17 Nov 2016 (AFP) - Os naufrágios prosseguem no Mediterrâneo, aumentando nesta quinta-feira para 18 o número de mortos e a 340 o de desparecidos esta semana, enquanto cresce o temor de que a crise se agrave com a retirada progressiva de embarcações humanitárias por causa da chegada do inverno à região.

Nesta quinta, 27 sobreviventes que passaram dois dias e duas noites ao sabor das ondas, agarrados ao que restava de sua embarcação, contaram, emocionados, o desespero dos companheiros que viram cair no mar.

E como os migrantes continuam partindo em grande quantidade para tentar cruzar o Mediterrâneo e chegar à Europa, existe o temor de que histórias assim continuem se repetindo ao fim de um ano que já bateu recordes, com pelo menos 4.621 migrantes mortos ou desaparecidos, segundo cifras da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Os 27 sobreviventes do último bote naufragado, a maioria homens muito jovens, contaram que 130 partiram de uma praia próxima a Trípoli às 02H00 de segunda-feira, segundo declarações obtidas pela ONG Médicos sem Fronteiras (MSF).

Depois de várias horas de navegação, os traficantes de seres humanos que os acompanhavam em outro barco recuperaram o motor de seu bote de borracha e os deixaram à deriva, sem a possibilidade de manobrar sobre as ondas e sem telefone via satélite para pedir socorro.

O bote, superlotado, começou a fazer água e a se desinflar. O mar estava agitado e à medida que passavam as horas, as ondas e o cansaço foram levando dezenas de passageiros, entre eles, dois adolescentes.

Na chegada, por volta do meio-dia de quarta-feira, do navio militar britânico "Enterprise", engajado na operação contra os traficantes, havia apenas 27 jovens agarrados ao que restava da embarcação.

Após serem resgatados pelo "Enterprise", os sobreviventes, a maioria senegaleses, embora também houvesse guineanos, gambianos e serra-leoneses, além de seis corpos ao redor do bote, foram transferidos para o "Bourbon Argos", da MSF.

"Estão esgotados, abalados e traumatizados", contou à AFP, por telefone do "Bourbon Argos", Michele Delaro, coordenador da MSF. O barco retornou à noite ao local do resgate, após ter desembarcado em Trapani, na Sicília, 800 migrantes resgatados há alguns dias.

"Crise angustiante"Esta nova tragédia se soma a outras: na segunda-feira, apenas 15 de 150 pessoas sobreviveram ao naufrágio de um bote e na terça, 23 pessoas foram resgatadas ao redor de outro que levava 122 passageiros.

Durante a operação de terça-feira e de outra muito difícil na véspera, os socorristas recuperaram nove corpos sem vida e viram outro cadáver desaparecer sob as águas.

Os 15 sobreviventes do primeiro bote chegaram na quarta-feira a Catania (Sicília) e os 23 do segundo, transferidos para o "Aquarius", da ONG SOS Méditerranée e da MSF, eram aguardados na manhã de sexta-feira em Regio de Calabria (sul).

"Estão, em sua maioria, traumatizados e sofrem de angústia. Um jovem desmaiou, chorando, chamando pela mãe. Outro escreveu uma lista de nomes de pessoas que viajavam com ele e não parava de lê-la", contou à AFP uma porta-voz da SOS Méditerranée.

Desde o sábado, mais de 3.350 pessoas foram resgatadas de embarcações precárias na região, segundo cálculos da guarda costeira italiana, que coordenou na quinta-feira o salvamento de 146 pessoas a bordo de um bote e de uma pequena barca.

A cifra supera o total registrado em novembro do ano passado e confirma, após um mês de outubro com um balanço recorde, o ritmo elevado de saídas de migrantes, apesar da piora das condições de navegação.

Botes de borracha superlotados, nos quais os traficantes costumam embarcar entre 120 e 140 pessoas, às vezes fazem água ao passar pelas primeiras ondas e podem se desinflar ou virar rapidamente.

Além disso, a redução progressiva das embarcações humanitárias, que não têm meios técnicos ou financeiros para operar durante todo o inverno, deixa um vácuo que obriga a guarda costeira italiana a recorrer à ajuda de embarcações comerciais que não são equipadas para realizar a tarefa.

"O que está ocorrendo é uma verdadeira catástrofe humanitária. É urgente que os Estados europeus assumam suas responsabilidades e deem uma resposta adequada", disse Sophie Beau, encarregada da SOS Méditerranée.

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