O combate frente a frente entre o governo sírio e o EI em Deir Ezzor

Deir Ezzor, Síria, 17 Nov 2016 (AFP) - Um soldado sírio dispara na direção de uma bandeira preta do grupo Estado Islâmico (EI) que está a alguns metros dele. Na cidade de Deir Ezzor, o exército enfrenta quase corpo a corpo os extremistas que o cercam há mais de dois anos.

Nos bairros sob o controle do governo de Bashar al-Assad, que representam 40% desta cidade do leste da Síria, os militares permanecem dia e noite em estado de alerta diante dos homens de Abu Bakr al-Baghdadi, o chefe do EI.

"Nunca houve descanso. Inclusive à noite dormimos com um olho aberto", conta o soldado Omar, que utiliza um pseudônimo como os outros militares entrevistados por um jornalista da AFP no local.

Alguns metros mais longe dali, do outro lado da linha de demarcação no bairro dividido de Huwayqa, pode-se ver as posições extremistas onde estão colocadas bandeiras da organização ultrarradical.

"Até durante as nossas pausas estamos sempre alertas", acrescenta Omar, que parabeniza o companheiro de armas que acaba de derrubar uma bandeira extremista.

Este soldado de barba longa, que leva uma cartucheira cheia de balas e um Kalashnikov, não encontra seus pais que vivem em Damasco há três anos.

O bairro de Huwayqa está devastado. Muitos edifícios foram destruídos. Uma trincheira de dezenas de metros rodeada de bolsas com areia facilita os soldados se deslocarem em uma linha de demarcação e a espiar seus adversários.

"Isso nos protege também de atiradores de elite e dos atentados", explica um oficial. "Facilita também abrir túneis para chegar às posições inimigas sem sermos vistos", acrescenta.

Só se pode chegar em Deir Ezzor a partir de helicópteros militares, pois o EI conquistou uma parte da cidade em julho de 2014 e cerca o setor do governo desde janeiro de 2015.

É a única cidade da Síria onde as tropas do regime estão cercadas e a única no leste em que uma parte está nas mãos do exército, em uma região amplamente controlada pelo EI.

O exército Sírio mantido lá garante retornar um dia para o vale do Eufrates e retomar os campos de petróleo que fornecem dois terços da produção na Síria, garante o especialista francês em assuntos sírios Fabrice Balanche.

Para os extremistas, essa é a segunda cidade mais importante que controlam depois de Raqqa, objetivo atual de uma ofensiva árabe-curda.

A província de Deir Ezzor, a segunda mais importante na superfície depois de Homs, é uma importante região agrícola que faz fronteira com o Iraque.

Na cidade, localizada às margens do Eufrates e que tinha 300.000 habitantes antes da guerra de 2011, o regime controla parte do setor oeste, ou seja, 25 km2 onde vivem mais de 100.000 pessoas, assim como o aeroporto militar na periferia.

VigilânciaO EI está posicionado principalmente na parte leste, onde vivem mais de 50.000 civis.

"Nossas posições e as do inimigo só estão a 15 metros de distância", diz à AFP o responsável do front de Huwayqa, que pediu anonimato.

Segunde ele, os extremistas não atacam de frente, mas tentam se infiltrar.

"Aproveitam quando há tempestades de areia, névoas ou geadas para atacar. Por isso, quando ocorrem essas situações redobramos a vigilância", assegura o coronel.

Os militares não querem dar um balanço de mortos em suas frentes, mas segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), 2.500 soldados e milicianos pró-regime morreram desde o início da batalha. Cerca de 3.000 extremistas morreram segundo a mesma fonte.

Nos últimos dois meses, as posições estão fixas, sem que nenhum dos dois grupos avance.

Segundo os oficiais no local, os soldados continuam aguerridos mesmo após meses de combates. "Enfrentei vários grupos, rebeldes, extremistas da Frente Al-Nusra (ex-braço da Al-Qaeda chamado agora Frente Fateh al-Sham) e depois o EI", explica o soldado Samer.

"Os rebeldes realizam um ataque frontal, a Al-Nusra coloca bombas nos edifício e as detona, enquanto o EI nos envia carros-bomba seguidos de suicidas", afirma.

Ainda que seja uma das batalhas mais difíceis para o exército, os soldados parecem manter o ânimo.

"Querem nos fazer acreditar que vão nos decapitar, mas resistimos", adverte Samer.

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