Países do Cone Sul discutem operações fronteiriças permanentes

Brasília, 17 Nov 2016 (AFP) - Os países do Cone Sul firmaram nesta quarta-feira (16), em Brasília, novos acordos para melhorar a segurança de suas fronteiras, permeáveis a todo tipo de tráfico e que, nas palavras do chanceler José Serra, tornaram-se "sinônimo de crime".

Ministros da Defesa, Justiça, Interior, Inteligência e Relações Exteriores de Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai assinaram hoje vários documentos de colaboração entre organismos de segurança para combater uma série de delitos - entre eles, tráfico de drogas, de armas e de pessoas, contrabando e lavagem de dinheiro.

"A fronteira se transformou hoje em um sinônimo de crime, quando deveria ser um fator de integração e de desenvolvimento", afirmou o ministro brasileiro das Relações Exteriores, José Serra, após o encontro.

Depois da reunião a portas fechadas, os ministros anunciaram a assinatura de um acordo em matéria de Inteligência entre Brasil e Paraguai e outro entre as polícias de Brasil e Bolívia.

Acima de tudo, os ministros ressaltaram a necessidade de estreitar mecanismos e protocolos existentes, os quais muitos não foram postos em prática de forma efetiva.

"O que está faltando no combate ao narcotráfico, ao tráfico de armas, de pessoas, ao contrabando, do ponto de vista transnacional, é o aspecto operacional", disse à imprensa o ministro brasileiro da Justiça e da Cidadania, Alexandre de Moraes.

Operações permanentes e surpresaNa abertura do encontro ministerial, nesta quarta, o presidente Michel Temer recomendou operações de segurança "permanentes" nas fronteiras dos países do Cone Sul.

"Nas últimas décadas, as ameaças à segurança pública se tornaram cada vez mais complexas e cada vez mais ultrapassam as fronteiras", afirmou Temer.

O presidente propôs que essas operações "sejam permanentes, para que a criminalidade retroceda, para que (os delinquentes) saibam que não é uma atuação episódica e transitória".

Na semana passada, por exemplo, uma ampla operação de policiais brasileiros e paraguaios desarticulou um bando de traficantes e apreendeu cerca de dez toneladas de maconha, além de armas e de veículos de luxo.

O ministro brasileiro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou que a operação fronteiriça "Ágata" - realizada desde 2011 de forma esporádica - se tornará "cada vez mais imprevisível", já que será "surpresa, de curta duração e muito apoiada por trabalhos de Inteligência".

"As fronteiras não podem ser barreiras para o combate ao crime internacional", ressaltou Jungmann.

Além de Jungmann, participaram os ministros da Defesa do Paraguai, Diógenes Martínez; da Bolívia, Reymi Ferreira; e da Argentina, Julio Martínez. Também estiveram presentes os chanceleres do Paraguai, Eladio Loizaga; e da Bolívia, David Choquehuanca.

Como parte das medidas adotadas, Temer assinou um decreto que institui um novo Programa de Proteção Integrada de Fronteiras (Propif), cujo objetivo é articular as ações de segurança pública, Inteligência, controle alfandegário e das Forças Armadas do governo federal do Brasil com as autoridades de cada estado, assim como com os países vizinhos.

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