Trump na mira da HRW por suas declarações de aval à tortura

Paris, 18 Nov 2016 (AFP) - A ONG Human Rights Watch (HRW) vai acompanhar de perto a ação do presidente eleito norte-americano Donald Trump após suas declarações de campanha apoiando a tortura, afirmou nesta quinta-feira em Paris o diretor-executivo da organização de defesa de direitos humanos, Kenneth Roth.

"Não levo totalmente a sério o que ele disse durante a campanha", disse Kenneth Roth em entrevista à AFP. "Não espero o pior, mas também pressionamos para que o pior não se transforme em política oficial", acrescentou o responsável, em visita à capital francesa.

Donald Trump "recuou um pouco, mas durante a campanha teria dito que aprovaria o 'submarino seco' ou mesmo coisas piores (...) embora sejam ineficazes" contra as pessoas suspeitas de terrorismo, lembrou Roth.

Segundo o diretor-executivo da ONG norte-americana, Barack Obama não fez o suficiente em matéria de ações judiciais contra os autores de atos de tortura, deixando aberta a possibilidade de Donald Trump restabelecer práticas controversas utilizadas sob a administração de George W. Bush, no poder entre 2001 e 2009.

Embora Barack Obama "tenha endurecido a lei contra a tortura, que é claramente ilegal, o fato de não ter havido nenhuma ação judicial (contra atos de tortura) facilita a possibilidade de que Trump as retome", advertiu Roth.

O funcionário da ONG ressaltou ainda sua preocupação sobre o uso de drones. A administração Obama autorizou bombardeios com drones no exterior em caso de "ameaça persistente e iminente".

Segundo Kenneth Roth, a definição de "iminente" é muito ampla e "facilita" que Trump recorra a critérios pouco claros.

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