Chefe da Otan diz que Trump manterá 'forte compromisso' com a organização

Bruxelas, 18 Nov 2016 (AFP) - O próximo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manterá seu apoio a seus sócios da Otan, disse nesta sexta-feira à AFP o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, que falou em manter uma "relação construtiva" com a Rússia.

"Estou completamente certo de que o presidente eleito Trump manterá o forte compromisso dos Estados Unidos com a segurança europeia e com a Otan", disse Stoltenberg, em entrevista à AFP em Bruxelas.

Esse "forte compromisso" é de "interesse tanto da Europa como dos Estados Unidos", considerou o líder da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), para quem as duas Guerras Mundiais e a Guerra Fria mostram a interdependência da segurança para ambos os lados do Atlântico.

A inesperada vitória de Trump, que durante a campanha eleitoral colocou em dúvida seu apoio militar a seus sócios da Otan se não aumentassem o gasto militar, preocupa especialmente a Europa, assim como a aparente boa sintonia entre o magnata e o presidente russo, Vladimir Putin.

Stoltenberg considerou completamente justificado que Trump, assim como os presidentes americanos anteriores, pressione os europeus para aumentarem seu gasto militar, principalmente quando Washington assume dois terços do gasto militar da Otan.

"Manter uma Otan forte é um interesse estratégico dos Estados Unidos. A Europa é a melhor amiga dos Estados Unidos", apontou o líder da Aliança Atlântica, que espera receber o 45º presidente da primeira potência militar mundial "no próximo ano na cúpula da Otan" prevista em Bruxelas.

"Não se pode isolar a Rússia"A aparente aproximação de Trump e Putin preocupa especialmente os países do leste europeu, antigos membros da União Soviética, pela atitude agressiva de Moscou desde o conflito na Ucrânia, em 2014. Em março deste ano, a Rússia anexou a então península ucraniana da Crimeia.

Em sua cúpula em julho na Polônia, a Otan decidiu aumentar sua capacidade militar até níveis inéditos desde o final da Guerra Fria pra fazer frente a uma Rússia mais agressiva.

"Em nossa cúpula em Varsóvia, adotamos decisões sobre uma defesa forte, mas também sobre um diálogo político" com Moscou, explicou Stoltenberg, para quem Trump também transmitiu uma mensagem sobre a necessidade de falar com a Rússia.

"A Rússia é nossa maior vizinha, a Rússia está aqui para ficar. Não se pode isolar a Rússia, pois temos que continuar nos esforçando em uma relação mais construtiva" com este país, acrescentou.

Turquia, um "aliado-chave"O secretário-geral da Otan viajará no próximo domingo para a Turquia, sua segunda viagem desde o frustrado golpe de Estado militar em meados de julho.

"A Turquia é um aliado-chave e desempenha um papel importante na Aliança não só por sua localização estratégica", assegurou.

A Aliança Atlântica e os europeus defendem que as autoridades turcas tenham o direito de perseguir os golpistas, apesar de fazerem uma advertência sobre se basearem nos valores democráticos compartilhados e que a Otan está disposta a manter.

Para Stoltenberg, Ancara tem o direito de perseguir os responsáveis da intentona golpista, mas "é importante que se faça de acordo com o Estado de direito".

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