Primeiro turno da primária da direita francesa no centro das atenções

Paris, 18 Nov 2016 (AFP) - Quem será o escolhido da direita francesa para a eleição presidencial de 2017? A resposta começará a ser dada no domingo, com o primeiro turno que se anuncia acirrado entre os três favoritos: o ex-chefe de Estado Nicolas Sarkozy e dois ex-primeiros-ministros, Alain Juppé e François Fillon.

O desafio vai além de uma simples primária partidária. Diante de um esquerda em frangalhos, o candidato que carregar as cores da direita tem todas as chances de ganhar a presidência em menos de seis meses, contra a líder da extrema-direita Marine Le Pen, animada com a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos.

Após dois meses de campanha no terreno, pontuada por três debates televisivos, três dos sete candidatos se destacaram e parecem os únicos capazes de chegar ao segundo turno em 27 de novembro.

Apontados como favoritos há meses, o ex-primeiro-ministro Alain Juppé e o ex-presidente Nicolas Sarkozy continuam a liderar a corrida, mas um terceiro homem, Francois Fillon, corre por fora, criando um suspense real.

"Foi anunciado um duelo, mas é uma partida a três que ocorre", observa Jerome Jaffré, diretor do Centro de Estudos e conhecimento sobre a opinião pública no jornal conservador Le Figaro.

O jornal observou que o recente avanço de Fillon coincidia com a publicação de seu último livro "Derrotar o totalitarismo islâmico".

Por muito tempo distanciado, este que foi o discreto primeiro-ministro de Sarkozy de 2007 a 2012, mais do que duplicou a sua pontuação em um mês, segundo as pesquisas. Ele segue de perto o ex-chefe de Estado, creditado com cerca de 30% dos votos, ombro a ombro com Alain Juppé, cujo avanço tem se desgastado.

Na sequência de um último debate, um pouco confuso, na quinta-feira, o resultado se anuncia ainda mais imprevisível, pois é a primeira vez que a direita francesa organizar uma primária, como a esquerda e os ecologistas.

Ataques filtradosPrincipal incógnita: o nível de participação, devido a uma grande gama de 2 a 4 milhões de eleitores.

Todos os franceses em idade de votar podem participar na consulta de domingo, desde que assinem uma declaração em que se comprometem a compartilhar "valores republicanos da direita e centro".

Mas, dado o que está em jogo, alguns partidários da esquerda e da extrema-direita poderiam se convidar ao voto para influenciar o resultado. Os observadores políticos, portanto, mantém cautela.

"O deslocamento de eleitores é mais fácil na mesma família política: podemos mudar de candidato sem mudar suas convicções", ressalta Jerome Jaffré.

Quanto ao mérito, os programas dos três homens são próximos, marcados por um desejo comum de reforçar a segurança interna e a vigilância das fronteiras da União Europeia, reduzir os impostos e o número de funcionários públicos, limitar drasticamente a imigração.

A escolha se dará mais em razão do modelo a ser adotado para atingir esses objetivos.

Destacando a sua "energia", sua experiência de chefe de Estado e suas propostas intransigentes como o fim de reunificação familiar, Nicolas Sarkozy seduz o núcleo duro de seu partido Republicanos.

Por suas palavras mais moderadas e sua vontade de reunir os franceses, Alain Juppé atrai a direita mais moderada e centristas.

Popular no mundo corporativo, Francois Fillon joga a carta da intransigência com um "projeto radical" em matéria econômica e medidas mais conservadoras em questões sociais.

Se os debates permaneceram em tom cortês e os ataques foram filtrados, os simpatizantes de cada lado entraram na briga. Rebatizado de "Ali Juppé", o antigo primeiro-ministro foi acusado de simpatia para com os muçulmanos fundamentalistas, enquanto Nicolas Sarkozy foi descrito como "mini-Trump".

E a desconfiança reina quanto ao bom desenrolar da votação, depois de uma votação interna marcada por acusações de fraudes em 2012.

Para evitar qualquer contestação, as procurações foram proibidas e uma Alta Autoridade da primária deve garantir um voto honesto.

Ainda assim, vários candidatos planejam realizar contagens paralelas dos votos e alguns até chamaram nos últimos dias os seus apoiantes para maior vigilância no dia da votação.

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