Regime sírio intensifica campanha de bombardeios contra Aleppo

Aleppo, Síria, 18 Nov 2016 (AFP) - Os moradores dos bairros rebeldes de Aleppo, grande cidade do norte da Síria, estavam presos em suas casas nesta sexta-feira em consequência dos intensos bombardeios do regime, disposto a conquistar a totalidade da segunda maior cidade do país.

No quarto dia consecutivo de bombardeios contra a parte da cidade controlada pelos insurgentes, o regime de Bashar al-Assad atacou durante a manhã vários bairros controlados pelos rebeldes.

Segundo um correspondente da AFP, o fogo da artilharia foi de uma intensidade sem precedentes em dois anos. Em poucos minutos, dezenas de obuses e foguetes caíram, fazendo o chão tremer.

O diretor dos Capacetes Brancos (grupo de socorristas) no bairro rebelde de Al Ansari contou à AFP que "nunca tinha ouvido disparos de artilharia tão intensos" em Aleppo.

"É difícil nos deslocarmos por culpa (...) dos obuses que caem nas ruas", afirmou Najib Fakhuri.

Além do ataque com artilharia, o exército sírio lançou barris com explosivos em vários bairros rebeldes da antiga capital econômica da Síria, transformada no principal front de um conflito que deixou mais de 300 mil mortos em 2011.

Na última hora da tarde, o regime bombardeou um hospital do bairro de Maadi, deixando=o fora de serviço, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Segundo uma fonte médica, o estabelecimento foi parcialmente destruído, dois pacientes morreram e outros ficaram feridos, assim como membros da equipe médica.

Em Bab al Nairab, outro bairro rebelde de Aleppo, bombardeios arrasaram o quartel-general da Defesa Civil, indicou um socorrista.

No bairro de Masaken Hanano, os edifícios tremiam após cada bombardeio, segundo o jornalista da AFP e o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Luzes apagadasDurante o dia, o exército sírio também lançou barris com explosivos em vários bairros rebeldes da cidade.

Os civis do leste de Aleppo, que pediam socorro em vão, se trancaram em suas casas como fizeram na noite anterior, apagando todas as luzes para não virarem alvos dos bombardeios.

À noite, houve combates entre os rebeldes e as forças pró-regime em Sheikh Said, bairro do sul de Aleppo, que o exército tenta tomar há semanas.

"Os enfrentamentos são muito violentos, com bombardeios mútuos (de artilharia)", afirmou à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

"O regime avançou na região antes de ser repelido pelos rebeldes", acrescentou.

Estes últimos lançaram 15 foguetes na região controlada pelo regime, deixando cinco mortos, inclusive duas meninas, segundo veículos de comunicação oficiais sírios.

Desta vez o exército, que nas ofensivas anteriores "não tinha se arriscado a entrar na cidade rebelde", atacou os bairros insurgentes, informou à AFP Fabrice Balanche, especialista sobre a Síria no Washington Institute.

Depois de suspender por um mês os bombardeios contra os bairros rebeldes de Aleppo, o regime de Assad retomou nesta terça-feira os disparos de artilharia e o lançamento de bombas de barril, matando pelo menos 65 civis desde então, segundo o OSDH.

Os moradores do leste de Aleppo padecem, ainda, um assédio que dura quatro meses, o que impede que a menor ajuda chegue ao local.

Os armazéns das ONGs locais estão vazios e moradores famintos atacaram esta semana depósitos de alimentos do conselho municipal rebelde, segundo um jornalista da AFP.

Em Berlim, os principais dirigentes europeus e o presidente americano, Barack Obama, pediram "o cessar imediato" dos ataques contra o setor oriental de Aleppo, no poder dos rebeldes desde 2012.

'Estados Unidos paralisados'As forças do regime "querem combinar os bombardeios aéreos e a fome provocada pelo assédio para conseguir a rendição dos rebeldes", explicou Thomas Pierret, especialista em Síria e professor da universidade de Edimburgo.

Segundo ele, diferentemente das demais ofensivas, agora "os moradores [do leste de Aleppo] começam a morrer de fome".

Aviões russos não intervêm nos bombardeios iniciados na terça-feira e se concentram na província vizinha de Idleb (noroeste), controlada por uma aliança de rebeldes e extremistas islâmicos.

Vários analistas consideram que Damasco e seus aliados querem ganhar tempo antes de o futuro presidente americano, Donald Trump, assumir o posto em janeiro de 2017.

"Está claro que Rússia, Damasco e Teerã querem reconquistar rapidamente o leste de Aleppo. Os Estados Unidos estão paralisados, é preciso colocar Trump diante do fato consumado em janeiro", afirmou Balanche.

No oeste do país, ao menos 22 civis, entre eles dez crianças, morreram nas últimas 24 horas em bombardeios do regime contra várias cidades da região da Guta Oriental, reduto dos rebeldes, localizado ao leste de Damasco, segundo o OSDH.

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