Trump nomeia ultraconservadores na CIA, Justiça e Segurança Nacional

Washington, 18 Nov 2016 (AFP) - O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, nomeou nesta sexta-feira (18) três ultraconservadores para as posições-chave de procurador-geral, conselheiro de Segurança Nacional e diretor da Agência de Inteligência Central (CIA).

Trump nomeou chefe do Departamento de Justiça o senador Jeff Sessions, de 69 anos, que defende uma postura extremamente dura contra a imigração ilegal, um dos pilares de sua campanha.

Poucos dias depois de sua vitória, o bilionário republicano prometeu expulsar - já nos 100 primeiros dias de governo - cerca de três milhões de pessoas em situação irregular com antecedentes criminais.

"Recebo com entusiasmo a visão de Trump de 'um só Estados Unidos' e de seu compromisso com a igualdade perante a lei. Aspiro cumprir integralmente minhas funções com inabalável dedicação à justiça e à equidade", afirmou o senador.

Sessions representa o estado do Alabama (sul) no Senado desde 1997. Sua nomeação foi recebida "como uma grande notícia" pelo senador ultraconservador do Texas Ted Cruz, rival de Trump nas primárias partidárias.

Durante os governos de George W. Bush e de Obama, ele se opôs a vários projetos de regularização de imigrantes ilegais.

Na década de 1980, Sessions causou grande polêmica com suas declarações racistas, reclamando que um advogado branco "envergonhou sua raça" ao defender um cliente negro.

A influente organização de defesa das liberdades civis nos Estados Unidos ACLU lembrou ter sido chamada de "comunista" por Sessions, o qual criticou sua postura sobre os direitos dos homossexuais, a pena de morte e o aborto.

"Se têm saudade da época em que mandávamos os negros calarem a boca, os homossexuais tinham de se esconder, os imigrantes eram invisíveis e as mulheres estavam na cozinha, o senador Sessions é seu homem", ironizou o congressista democrata por Illinois Luis Gutiérrez.

Pró-Rússia e contra o IrãO general da reserva Michael Flynn, de 58, será conselheiro de Segurança Nacional de Trump, uma posição atualmente ocupada por Susan Rice. Entre 2012 e 2014, ele dirigiu a Agência de Inteligência da Defesa (DIA), período durante o qual foi criticado por suas declarações hostis ao Islã.

Flynn também é conhecido por sua postura conciliadora para com a Rússia, país ao qual o atual presidente Barack Obama chamou Trump "a fazer frente", e para com a China.

O congressista democrata Adam Schiff, membro da Comissão de Inteligência, disse estar "muito preocupado" com "o fraco" de Flynn pela Rússia e com suas "declarações incendiárias" sobre o Islã.

O magnata imobiliário decidiu colocar à frente da CIA o congressista do Kansas Mike Pompeo, que chegou à Câmara dos Representantes pelo Tea Party, a ala ultraconservadora do Partido Republicano.

Os três aceitaram suas nomeações. Para o cargo de Flynn não é necessária a aprovação do Senado, ao contrário das outras duas posições, sim.

Essas novas nomeações foram comemoradas pelos republicanos, mas alarmaram os democratas, que ainda estão digerindo a nomeação no último domingo (13) de Steve Bannon - chefe do portal de extrema-direita Breitbart - como estrategista e principal assessor de Trump.

Também no fim de semana, Reince Priebus, de 44 anos e presidente do Comitê Nacional do Partido Republicano, também foi eleito como chefe de gabinete da Casa Branca.

Tranquilizar os aliadosEm contraste com essas figuras linha-dura, Trump vazou os nomes de personalidades mais moderadas para liderar a diplomacia americana.

Trump deve ser reunir neste fim de semana com o republicano moderado Mitt Romney, ex-candidato presidencial derrotado por Barack Obama em 2012. A imprensa americana afirma que o ex-governador de Massachusetts será nomeado secretário de Estado.

Essa aproximação surpreendeu muitos, porque Romney liderou a oposição à candidatura de Trump e à sua postura populista nas prévias republicanas.

O ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani também soou como um possível nome para chefiar a diplomacia americana.

Trump, que desde a sua eleição quase não deixou seu arranha-céu em Nova York, vai viajar no fim de semana para um clube de golfe em Nova Jersey, onde continuará as reuniões para completar seu gabinete.

Em um jogo sutil de equilíbrio, o presidente eleito pretende tranquilizar os aliados dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, assegurou que tem "grande confiança" no magnata após conhecê-lo. Este foi o primeiro encontro entre Trump e um líder mundial desde a vitória nas urnas.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, disse hoje ter tido "uma boa conversa" por telefone com Trump sobre o futuro da instituição.

Mas a nomeação de Sessions "causará arrepios nos ativistas de direitos civis e direitos dos imigrantes", enquanto a designação de Flynn "pode agradar (ao presidente russo Vladimir) Putin e (ao presidente turco, Recep Tayyip) Erdogan", acredita o ex-assessor de Obama David Axelrod.

O futuro chefe da CIA fez parte da comissão de investigação do Congresso, dominado pelos republicanos, sobre o ataque à missão diplomática americana em Benghazi, na Líbia, em 2012. Quatro americanos morreram no atentado, entre eles o embaixador Christopher Stevens.

A comissão acusou Hillary Clinton, ex-secretária de Estado e adversária de Trump na eleição presidencial, de ter minimizado a ameaça extremista na Líbia.

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