Zika deixa de ser 'emergência sanitária mundial' (OMS)

Genebra, 18 Nov 2016 (AFP) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta sexta-feira que o vírus zika, associado a graves malformações cerebrais em recém-nascidos, deixou de ser uma "emergência de saúde pública mundial".

"O vírus zika continua sendo um problema muito importante (...) mas já não é uma emergência de saúde pública em nível mundial", declarou em coletiva de imprensa David Heymann, presidente do Comitê de Emergências da OMS sobre o Zika.

A decisão de retirar o status de emergência de saúde pública mundial do zika, que tinha sido declarado em 1º de fevereiro de 2016, foi tomada durante a quinta reunião do Comitê de Emergência, realizada nesta sexta-feira.

"Como a pesquisa demonstrou o vínculo entre o vírus zika e a microcefalia, o Comitê de Emergências considerou que é necessário um mecanismo técnico estável a longo prazo para organizar uma resposta global", indicou a OMS em um comunicado.

"Por tanto, o Comitê de Emergências considera que o vírus zika e suas consequências continuam sendo um desafio de saúde pública persistente e importante, que requer uma ação intensa, mas que já não representa uma emergência de saúde pública como definem as normas internacionais de saúde", acrescenta o documento.

"Nós não minimizamos a importância deste vírus", afirmou, no entanto, Peter Salama, diretor-executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS, em coletiva de imprensa.

"Na verdade, ao fazer um programa de trabalho de maior duração, enviamos a mensagem de que o zika vai durar e que a resposta da OMS se manterá de forma muito estável", acrescentou.

Em 2015, médicos e cientistas brasileiros descobriram que o zika estava por trás de um aumento desproporcional dos casos de microcefalia no país. Esta relação entre o zika e a microcefalia era, até então, desconhecida pela ciência.

A microcefalia é uma malformação congênita que afeta o desenvolvimento cerebral, e pode ocorrer em fetos de mulheres infectadas pelo vírus durante a gravidez.

O vírus zika, transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti e em alguns casos por contato sexual, também está vinculado à síndrome de Guillain-Barré, um grave transtorno neurológico.

Brasil mantém emergência nacionalDesde 2015, 73 países foram afetados pelo zika, principalmente na América Latina e no Caribe, e 23 países anunciaram casos de microcefalia e de síndrome de Guillain-Barré possivelmente vinculados ao vírus. Ambas as doenças podem levar à morte.

O Brasil é o país mais afetado pelo zika, com 1,5 milhão de pessoas infectadas (contágios prováveis, já que, como a doença muitas vezes não causa sintomas, é impossível saber o número exato de casos), e com mais casos de microcefalia associada ao vírus, com 2.143, seguido pela Colômbia, com 46.

O Ministério da Saúde do Brasil anunciou nesta sexta-feira que continuará tratando o zika como uma emergência sanitária de importância nacional, apesar da decisão da OMS de rebaixar o status da epidemia.

"Vamos manter o status de emergência no Brasil até que estejamos completamente tranquilos com a situação", disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros, a jornalistas.

O Ministério da Saúde também anunciou que vai ampliar os critérios de diagnóstico de danos causados pelo zika em bebês e que vai prolongar os períodos de acompanhamento médico das crianças cujas mães contraíram o vírus durante a gravidez, que serão observados até os três anos de idade para detectar outros possíveis transtornos.

"A infecção pelo vírus zika e as consequências que implica (...) devem ser gestionadas pela OMS, pelos Estados e pelos demais sócios da mesma forma em que se tratam outras ameaças de doenças infecciosas", afirmou a OMS no seu comunicado.

"Muitos aspectos desta doença e das suas consequências ainda devem ser esclarecidos, mas pode-se conseguir fazer isso melhor com uma pesquisa contínua", acrescentou a organização.

Paulo Gadelha, presidente da Fundação Oswaldo Cruz, disse à AFP que estava "preocupado com o fato de que a mensagem da OMS possa ser interpretada como um sinal negativo: que o zika não é mais uma emergência, uma prioridade".

"O esforço internacional deve continuar, não pode diminuir. O problema do zika não desaparece pelo fato de que não é mais uma emergência de saúde mundial (...) O Zika continua sendo uma emergência do ponto de vista científico e como desafio em saúde pública (necessidade de vacinas, etc.)", acrescentou o presidente da instituição, vinculada ao ministério da Saúde.

Segundo a OMS, estão sendo testadas duas vacinas experimentais contra o zika, um vírus que não tem cura.

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