Coalizão árabe decreta 48 horas de cessar-fogo no Iêmen

Riad, Arábia Saudita, 19 Nov 2016 (AFP) - A coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita que luta no Iêmen contra os rebeldes huthis apoiados pelo Irã anunciou um cessar-fogo de 48 horas a partir de meio-dia deste sábado (7H00 de Brasília).

O anúncio surpreendente aconteceu após o fracasso de uma trégua mediada pelos Estados Unidos, que deveria ter entrado em vigor na quinta-feira, por conta da rejeição do presidente iemenita Abd Rabbo Mansur Hadi, apoiado pela coalizão.

Depois do fracasso da iniciativa do secretário de Estado americano John Kerry, os combates se intensificaram em todas as frentes de batalha da guerra, que devasta o país há quase 20 meses.

A trégua será prolongada se os rebeldes huthis e seus aliados aceitarem a entrega de ajuda humanitária em cidades cercadas como Taez, sudoeste do Iêmen, afirma o comunicado da coalizão divulgado pela agência de notícias oficial saudita SPA.

O Iêmen, país mais pobre da península arábica, está sendo destruído por combates entre o grupo do presidente Hadi, apoiado pela coalizão árabe, e os rebeldes xiitas, os huthis aliados do ex-presidente iemenita Ali Abdallah Saleh.

A trégua foi decidida após um pedido do presidente iemenita reconhecido internacionalmente - instalado em Riad - em uma carta enviada ao rei Salman da Arábia Saudita.

"Esta é uma adesão aos esforços da ONU e da comunidade internacional para restabelecer a paz no Iêmen", anunciou a coalizão.

"As forças da coalizão respeitarão o cessar-fogo", destaca o comunicado, que ao mesmo tempo adverte que a coalizão responderá se as tropas rebeldes leais ao ex-presidente Saleh fizerem o menor movimento militar durante a trégua.

A coalizão exige, segundo o comunicado, que os rebeldes enviem uma delegação à "comissão de desescalada e coordenação" criada pela ONU e com sede em Dharhran, sul da Arábia Saudita, para supervisionar a trégua.

O bloqueio naval e aéreo imposto pela coalizão seguirá em vigor e os aviões prosseguirão com as missões de vigilância, de acordo com a nota oficial.

Os rebeldes xiitas huthi, que controlam grandes faixas do território iemenita, incluindo a capital Sanaa, indicaram a intenção de respeitar o cessar-fogo.

Os insurgentes haviam aceitado a iniciativa de paz proposta por Kerry, que se reuniu com os negociadores rebeldes em Mascate, capital de Omã.

A iniciativa de Kerry previa, além de uma trégua, a formação de um governo de união nacional até o fim do ano.

Desde quinta-feira, mais de 50 pessoas morreram em confrontos entre rebeldes huthis e as forças governamentais na região de Taez.

Os huthis, uma minoria que se considera abandonada pelo poder central do presidente Hadi, assumiu o controle de Sanaa e de outras partes do país em 2014, forçando a fuga do presidente Hadi.

Em março de 2015, a Arábia Saudita assumiu o comando de uma coalizão militar árabe para tentar expulsar os rebeldes.

O conflito deixou mais de 7.000 mortos e quase 37.000 feridos, de acordo com a ONU.

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